Arquivos para a Categoria ‘1’

h1

Wall Street quer titularizar a morte

Fevereiro 25, 2010

Segundo um artigo aparecido no New York Times , os bancos de investimento preparam-se para lançar novos produtos financeiros exóticos. Vocês gostaram dos subprimes? Então agora vão adorar os lifeprimes!

A ideia destes génios financeiros é comprar life settlements, isto é comprar as apólices de seguros de vida das pessoas idosas e doentes. Elas ficarão bem contentes, em função da sua esperança de vida, de as vender por um punhado de dólares a fim de pagar os seus cuidados de saúde! Por exemplo, as apólices com um valor de um milhão de dólares poderiam ser vendidas por 400 mil dólares.

A seguir, tal como os valorosos subprimes, titularizam-se estas apólices reagrupando-as em pacotes de centenas ou de milhares. Os bancos revenderão então estes títulos a investidores que receberão o usufruto dos seguros de vida quando as pessoas morrerem.

A lógica informa-nos que a margem de lucro aumenta em função da baixa da idade do morto detentor do seguro de vida. Há todo o interesse em garantir que este último não viva muito mais do que o esperado, senão o investidor veria os seus lucros baixarem e perderia o seu investimento.

Para a Wall Street, é o jogo do ganha-ganha pois os bancos encaixariam uma margem sumarenta pela emissão, depois pela venda e finalmente pelo comércio dos títulos.

Há já nove propostas para titularizar apólices de seguros de vida. Elas vêem de investidores privados e de sociedades financeiras, como por exemplo o Crédit Suisse. O mercado de seguros de vida representa mais de US$26 milhões de milhões, não é nada mau!

O Crédit Suisse já comprou uma sociedade especializada na revenda das apólices de seguros de vida e acaba de criar um pólo financeiro encarregado de estruturar o mercado. O banco de investimento nova-iorquino Goldman Sachs , que nunca fica atrás quando se trata de esquecer a moral, acaba de elaborar um índex sobre a esperança de vida das diferentes categorias de pessoas a fim de permitir aos banqueiros que apostem no número certo.

O único risco dos investidores é de as pessoas viverem mais tempo que o previsto. Mas, se a reforma da saúde de Obama for adoptada, com o racionamento dos cuidados de saúde e a via da prevista eutanásia, este risco torna-se próximo do zero.

Estes pequenos génios das finanças devem rir quando o secretário americano do Tesouro, Tim Geithner , um ex-Goldman Sachs, levanta a sua voz para afirmar que “está fora de causa que a indústria financeira retorne às práticas anteriores ao crash. Isso não pode acontecer e simplesmente não acontecerá. Haverá uma mudança fundamental. A falha decisiva que levou a esta crise consistia em tolerar um efeito de alavancagem enorme, em termos de risco, através de todos os bancos do mundo e nos organismos financeiro que funcionam como bancos”.

08/Setembro/2009

  • Ver também Investors Recruit Terminally Ill to Outwit Insurers on Annuities

    O original encontra-se em http://www.solidariteetprogres.org/article5784.html

  • Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

     

    h1

    Medicamentos?

    Fevereiro 21, 2010

    O grão-de-bico é um alimento mais rico do que o feijão em muitos aspectos. Entre 20 e 30% de sua constituição é pura proteína. Possui muitas fibras, zinco, potássio, ferro, cálcio e magnésio. Se for consumido todos os dias, faz ganhar massa muscular, aumenta o bom humor, reduz o nível de colesterol ruim e regula o intestino.

    Mas sua qualidade mais famosa é de gerar felicidade: possui mais triptofano do que o feijão, o mesmo aminoácido essencial que faz do chocolate essa bela fonte de bem-estar e redução do estresse.
    “Em seres humanos metabolicamente normais, o aumento do consumo do grão-de-bico tem como conseqüência uma maior produção da serotonina”, destacam Leonardo S. Boiteux e Maria Esther de Noronha Fonseca, do Laboratório de Melhoramento Genético & Análise Genômica do Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH) da Embrapa Hortaliças, em Brasília.

    Por ter ômega 3 e 6, é indicado para prevenir doenças cardiovasculares. E quem tem diabetes ou está lutando contra a obesidade também pode se beneficiar da leguminosa.

    “Tem carboidratos complexos, ou seja, possuem uma metabolização lenta no organismo. Por também ser rico em fibras, proporciona sensação de saciedade e a pessoa só vai sentir fome bem mais tarde”, explica a nutricionista baiana Solange Carvalho.

    Os pesquisadores da Embrapa Hortaliças destacam que as sementes do grão-de-bico também acumulam mais fitoestrogênios do que as do feijão – substâncias que têm ação preventiva na osteoporose e de problemas cardiovasculares. Os fitoestrogênios também são usados na reposição hormonal após a menopausa.

    Comam grão de bico à fartazana……

    Sidónio Candeias
    h1

    As benesses ao capital transnacional

    Fevereiro 9, 2010
    h1

    Reforçar o Partido

    Janeiro 27, 2010

    A Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP (DORS) aprovou, na sua reunião de dia 23, os objectivos para o reforço do Partido em 2010, dando seguimento às decisões definidas pelo Comité Central em Novembro do ano passado.
    Decidida ficou a realização, durante o primeiro semestre, das assembleias das organizações de base do Partido, estando já agendadas 31. Foi também lançada uma campanha de recrutamento de mais 285 militantes, a organizar nas células e sectores de empresas.
    Ao nível da responsabilização de quadros – outro dos grandes objectivos definidos pelo CC para 2010 – a DORS estabeleceu o objectivo de responsabilizar 130 novos quadros por tarefas, medida a ser acompanhada por acções de formação política e ideológica. A promoção e divulgação do Avante! e de O Militante é outra das prioridades dos comunistas da Península de Setúbal.
    Marcadas ficaram já várias iniciativas, entre as quais se destaca um conjunto de acções e debates com que o PCP pretende assinalar o centenário da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, cujo lançamento será em Almada no dia 27 de Fevereiro; a realização na região das jornadas parlamentares dos eleitos do PCP no Parlamento Europeu, a 18 e 19 de Fevereiro; o largo conjunto de iniciativas em torno do 89.º aniversário do PCP; as comemorações do centenário do Dia Internacional da Mulher, a 8 de Março, com a realização de iniciativas em todos os concelhos; a valorização do papel das nacionalizações de sectores estratégicos da economia na região para o desenvolvimento e a produção nacional; a realização no final do ano de um encontro regional de balanço do primeiro ano do mandato autárquico 2009-2013; ou as acções contra a realização em Portugal, no final do ano, da Cimeira da NATO.

    Avante!

    Nº 1888

    h1

    Janeiro 24, 2010

    O bonito C.T. do Barreiro
    Está no estado que se vê
    De Portugal foi o primeiro
    A reunir e trabalhar para o PCP.

    O orgulho de alguns camaradas
    Em tomar parte nas decisões
    Presentes nas reuniões alargadas
    Provoca às vezes tropeções.

    O CT do barreiro está muito mal
    Como ponto de encontro fechou
    Vende-se pouco mais que o jornal
    A fraternidade e o convívio falhou.

    É o Barreiro que está a perder
    Com o triste fecho deste local
    É fácil, e está bom de ver
    Quando há uma campanha eleitoral!

    Há quatro anos escrevi uma carta
    A evidenciar muita preocupação
    Dela dei conhecimento à farta
    Informei o responsável da organização.

    Até aqui pouco ou nada foi feito
    Com este local ideal para lutar
    Se cada um desse o seu jeito
    Em breve poderíamos trabalhar!

    Até os nossos adversários gostam
    Da nossa incapacidade para reabrir
    Ou corrigimos os erros, e eles apostam
    Os Barreirenses tudo farão para reabrir.

    O Barreiro merece bem melhor
    O povo saberá agradecer ao PCP
    O país e o seu povo estão bem pior
    E precisamos de perguntar porquê?

    É lamentável não sermos mais unidos
    Com tantos adversários pela frente
    Tantos e tantos bons camaradas falecidos
    Repensar e corrigir de forma inteligente…

    Sidónio Candeias
    Martigny

    h1

    PCP – Militarismo – PE

    Janeiro 1, 2010
    h1

    O resultado de 2009

    Dezembro 30, 2009

    Lutemos então por um 2010 de mudança!

    more about "O resultado de 2009", posted with vodpod

    h1

    Ilda Figueiredo – Tratado de Lisboa

    Dezembro 29, 2009
    h1

    Dezembro 24, 2009

    h1

    Na apresentação do Livro II de O Capital-Um manancial de aspectos a reter

    Dezembro 2, 2009

    O presente texto é um extracto (cujo aparato crítico foi simplificado e que será publicado na íntegra juntamente com textos de outros autores) da intervenção do autor num debate na Festa do «Avante!»
    (em que participaram também os camaradas Sérgio Ribeiro e Francisco Melo) subordinado ao tema «O Capital revisitado», a propósito do lançamento pelas Edições «Avante!» da tradução portuguesa do Livro II de O Capital, Karl Marx.

    Não me cabe, nesta apresentação, ensaiar sequer um resumo do Livro segundo de O Capital.
    Desde logo, porque a sabença económica requerida para o efeito me falece, e, ademais, porque não se trata, em caso algum, de substituir a leitura e o estudo da obra (que importa incentivar) por um tosco e mal amanhado digesto, isto é, por um sucedâneo apressadamente digerido, em perigoso movimento acelerado para a contrafacção.
    A chamada «alta divulgação» – sem dúvida, necessária e útil – é, na realidade, outra coisa, e reclama predicados e competências que de boa mente reconheço não reunir. É por isso que a divisão do trabalho – nestas, como em outras matérias – representa uma dimensão incontornável de um labor colectivo que importa empreender, e organizar.
    Engels, na sequência aliás de receios que o próprio Marx não deixara de partilhar(1) , temia – como, não raro, avisadamente – que «o volume segundo [de O Capital] vai suscitar grande desilusão, por ser tão puramente científico e não conter muito de agitatório.»(2) .
    Em termos de desassombrado balanço comparativo – designadamente, se os livros primeiro e terceiro representarem a baliza de referência utilizada –, este ajuizamento de Engels é justificado, e podemos afirmar sem exagero que está, em larga medida, correcto.
    Com efeito, os processos à matéria pertinentes são minuciosamente desconstruídos e dissecados nos seus elementos, na sua envolvência, no seu movimento; as teorias da economia política burguesa (os fisiocratas, Adam Smith, David Ricardo, notórios representantes vários do «economismo vulgar», etc.) que os procuram «explicar» são aturadamente expostas, discutidas, reveladas nas abscônditas contradições de que se alimentam e nos reais desígnios (nem sempre confessados) que se propõem consolidar; recorre-se, amiúde, a fórmulas abstractas e a expressões matematizadas para ilustração exemplificativa dos casos e das dinâmicas em apreço.
    Não obstante, este Livro segundo – que, como já referi, tem por objecto o processo de circulação do capital –, a par do seu núcleo central e estruturante, encontra-se igualmente recheado de observações, e de toda uma inflexão na maneira de dirigir o olhar, que certamente contribuem para uma frutuosa «agitação» dos espíritos que pretendam compreender as realidades e empreender praticamente a sua transformação.
    Ainda que telegraficamente, e de modo desgarrado, limito-me – por amostragem quase-aleatória, se é que não por inabilidade em melhor organizar o discurso – a chamar a atenção para uma meia dúzia de aspectos que vão conhecendo aclaramento à margem, ou ao longo, deste escrito.
    Deve tomar-se, portanto, este abreviado elenco apenas ao jeito de um aperitivo (seco) para a curiosidade…
    Assim, do ponto de vista metodológico – pensado sempre em termos materialistas e dialécticos –, Marx continua a seguir, tal como no conjunto dos seus trabalhos, a boa lição de Hegel(3) , segundo a qual um resultado não pode ser considerado, na sua concreção, «sem a mediação do processo de que ele é resultado»(4) .
    Significa isto – particularmente, quando aquilo que está a ser objecto de exame é, como no caso vertente, a esfera da circulação do capital — que – num círculo constantemente em rotação, cada ponto é, simultaneamente, ponto de partida e ponto do regresso.»(5) .
    Pelo que, uma vez mais, o ponto de vista reitor da economia política burguesa – que, em geral, se limita a encarar na sua imediatez «aquilo que aparece»(6) , sem atender à dinâmica material concreta que sustenta os próprios fenómenos na sua determinação e transitividade – acaba também por revelar, e por ver criticamente expostas, ao correr da pena, as suas debilidades intrínsecas e estruturantes.
    No que diz respeito ao conteúdo operacional de muitas das categorias utilizadas na análise dos processos do capital, deparamos igualmente neste Livro segundo com aclaramentos e precisões do maior alcance.
    Para além da distinção entre «reprodução simples» e «reprodução alargada», a que no início desta intervenção já aludi, poderíamos, por exemplo, ter em conta a noção de «taxa real da mais-valia» – indicador que expressa o «grau de exploração do trabalho»(7) –, e, sobremaneira, a necessidade de não confundir, nem conceptual nem funcionalmente, as categorias de «capital fixo» e de «capital circulante» com as categorias, só numa aparência enganosa equivalentes, de «capital constante» e de «capital variável»(8) .
    Com efeito, o «capital fixo» (instalações, máquinas, ferramentas) transfere fraccionadamente o seu valor para o produto ao longo de diferentes períodos de produção, enquanto o «capital circulante» (matérias primas, semi-fabricados, combustíveis, força de trabalho) é inteiramente despendido em cada período de produção.
    Por sua vez – e consideradas as relações sob um outro ângulo –, o «capital constante» corresponde aos meios de produção envolvidos na actividade produtiva, enquanto o «capital variável» representa aquele que é empregue na aquisição da força de trabalho.
    Se é certo que, em rigor, o «capital fixo» não compreende senão «capital constante», a esperada analogia simétrica não colhe, todavia, num quadro de aplicação ao «capital circulante», uma vez que este último, além da força de trabalho (que o «capital variável» compra), inclui também elementos de «capital constante».
    Não estamos, na verdade, nem perante meros floreados conceptuais de adorno ocasional do discurso, nem perante subtilidades escolásticas reaquecidas próprias de mentes sinuosas em demanda de um halo de «profundidade» e de sofisticação para as suas cogitações – destinados, em qualquer caso, todos, tão-só, a complicar rebuscadamente aquilo que afinal seria simples.
    Estamos a lidar, sim, e muito pelo contrário, com categorias que – reflectindo adequadamente na consciência (em registo abstracto) processos que em concreto na realidade se dão(9) – nos habilitam a penetrar em toda uma teia complexa de relações que a aparente simplicidade, de uma forma nem sempre inocente, esconde ou mascara.
    Este ponto – que, em regra, a economia política burguesa tende a negligenciar ou a obscurecer – revela-se, portanto, e deste modo, como crucial para se poder perceber, designadamente, o processo real de criação da mais-valia.
    Por outro lado, este Livro segundo fornece-nos ainda amplos e fecundos materiais para uma apoiada reflexão sobre alguns outros aspectos que – visto constituírem traços decorrentes da própria «lógica» que rege a instauração e o desdobramento do próprio modo de produção capitalista – continuam hoje em dia, modificadamente (este ponto é crucial em qualquer exame), a manifestar-se com exuberância na nossa contemporaneidade.
    Recordemos, em jeito de ilustração rápida (porventura, apenas impressionista), alguns tópicos em torno, por exemplo, da «mundialização», da «mercadorização», e da «financeirização».
    O importante tema da mundialização tendencial da economia capitalista(10) – que se articula, de modo decisivo, com os acelerados progressos das tecnologias de transporte e de comunicação(11) , jà à época em curso (e de cujo alcance sistémico e implicações Marx, em antecipação, se apercebe) – é recorrente.
    Não faltam, inclusivamente, argutas observações quanto às alterações introduzidas por novos mecanismos de segmentação no fabrico dos próprios produtos, como a de que, no quadro produtivo transformado e em regime de mercado mundial, «o artigo é importado, aos pedaços, de diversos países e em prazos de tempo diversos.»(12) .
    Por outro lado, e em termos de genérica matriz reitora, a mercadorização crescente da economia – isto é, o esforço concertado para, num movimento combinado de extensão (geográfica e qualitativa) dos mercados, converter em «mercadoria» qualquer produto social(13) , com o consequente alargamento (quantitativo e intensivo) da base potencial de extracção da mais-valia sob a forma de lucro, e a correlativa transformação tendencial de todo o trabalho em trabalho assalariado(14) – surge-nos igualmente posta em evidência.
    Com efeito, no âmbito desta formação económica e social – elevando-se do seu cerne, e desenhando-lhe um dos seus cunhos –, «a produção de mercadorias» acaba (e começa) por assomar como «a forma universal da produção capitalista»(15) .
    Por sua vez, a financeirização da economia – a par, e para além, das dimensões específicas que derivam do desenvolvimento dos sistemas de crédito(16) (historicamente relevante, que mais não seja, pelas variadas alavancagens que permite) – é também objecto de penetrante chamada de atenção, onde, desde logo, se não esquece o sublinhado de algumas das suas correlativas implicações sistémicas.
    Se o objectivo genérico, e «o motivo impulsionador», da actividade capitalista – no fundo, a sua teleologia propriamente dita – é, sem rodeios metafísicos mais sofisticados, «o fazer dinheiro», não pode causar particular admiração que este afã principial, «competentemente» prosseguido, acabe por conduzir a uma subalternização relativa dos sectores realmente produtivos, e a uma soltura cíclica da espiral especulativa (acompanhada e «corrigida» pelas suas conhecidas «crises», de extensão e profundidade variadas).
    Enquadrado por estas luminosas perspectivas (cuja latência permanece intocada), e encarado pelo ângulo do móbil que anima aqueles que delas se encarregam de extrair o melhor provento (leia-se: proveito), «o processo de produção aparece apenas», então, «como inevitável elo intermédio, como mal necessário para efeitos do fazer dinheiro. Todas as nações do modo capitalista de produção são, portanto, periodicamente atingidas por uma vertigem [Schwindel, que pode significar também em alemão (e na realidade de qualquer idioma): embuste, logro, aldrabice] em que querem consumar o fazer dinheiro sem a mediação do processo de produção.»(17) …
    E podíamos prosseguir ainda, sem nos afastarmos minimamente do texto, com o alinhamento nutrido de muitas outras observações interessantes e esclarecedoras.
    Por exemplo, sobre o negócio bolsista das sociedades por acções – em que «cada um sabe o que lá põe, mas não o que de lá retira»(18) –, ou sobre a especulação imobiliária urbana, em contextos mormente em que o «ganho principal» advém, não da exploração da actividade construtiva propriamente dita, mas antes da manipulação «hábil» do preço dos terrenos e da política dos solos(19) .
    É curioso referir ademais um outro tópico.
    Trata-se de um ponto que a propaganda burguesa (algo amachucada agora, é certo, à vista de estrondosos acontecimentos mais recentes pelas paragens da alta finança) em torno do criterioso «rigor» capitalista – contra o apregoado regabofe das contas públicas no satânico socialismo da planificação «colectivista» (e, portanto, sem apelo, liminarmente decretado «irresponsável») – com usitada frequência esquece, desfigura, e oculta, para efeitos que me abstenho, por higiene mental, de qualificar.
    Com efeito, muito boa (e selecta) gente ignora (ou faz por ignorar) que o próprio Marx – reconhecendo não obstante a evidência palmar de que a «contabilidade», por ela mesma apenas, «não altera naturalmente nada à conexão real das coisas que contabiliza»(20) – insiste todavia, e por diversas vezes, no papel crítico indispensável de que uma apropriada auditação constitutivamente tem que se revestir, desde logo, em termos de, e com vista a, um adequado assenhoreamento social (no limite: comunitário, e comunista) do andamento e da gestão da economia.
    Como expressamente se refere, de resto, no texto que vimos apresentando:
    «A contabilidade, como controlo e compêndio ideial do processo [produtivo], devém tanto mais necessária quanto mais o processo decorre a escala social e perde o carácter meramente individual; portanto, [torna-se] mais necessária na produção capitalista do que na exploração dispersa do artesanato e dos camponeses, mais necessária na produção comunitária do que na [produção] capitalista.»(21) .
    A terminar esta secção, assinalemos ainda um outro aspecto – que, em rigor, só se torna ridículo na exacta medida daquela deslumbrada pompa «teorética», de verdadeiro achado perolífero, com que surge debitada e nos costuma ser servida.
    Trata-se agora da impiedosa desmontagem a que Marx procede no que diz respeito à peregrina e mistificatória tese – popular entre certa apologética capitalista mais reverente e despachada –, segundo a qual, no fundo, o operário também tem que ser considerado um capitalista, na medida em que também ele vai ao «mercado» vender a sua «mercadoria», a sua força de trabalho, isto é, na realidade, vai ao mercado vender-se «ele próprio» para com o «rendimento» que dessa transacção aufere poder adquirir meios de vida que lhe permitam a subsistência (e a reprodução de força de trabalho a ser de novo vendida, comprada, e explorada)(22) …
    Quando a cavalaria impante toma o freio nos dentes e carrega à desfilada por esta encosta presumida e convenientemente «argumentativa» – que, no limite, até acaba por ir desembocar no pântano da fascinante e embevecida conclusão de que também o escravo é afinal um capitalista (como o próprio Marx, nesta passagem, não deixa de pôr em relevo(23) ) –, prescinde-se de algumas cautelas (não apenas teóricas, mas emergentes da própria imposição das realidades) que facilmente aceleram e precipitam derrapagens e desastres vários.
    Com efeito, encarando os processos na sua dinâmica e concreção, é impossível não esquecer que, num marco de relações burguesas de produção, o capital variável só desempenha funções de capital na mão do capitalista que o emprega no exercício dessa sua qualidade; na mão do «assalariado», o dinheiro que lhe corresponde é apenas rédito ou «rendimento», o «equivalente» recebido «por força de trabalho vendida». Na posse de um e na posse de outro, o mesmo dinheiro assume, por conseguinte, uma aplicação útil ou uma «utilização» totalmente diferente.
    Há, de facto, «confusões» – como esta entre «força de trabalho» (a «fortuna» do operário, que ele renovadamente é obrigado a vender) e «capital» (que a compra para dela extrair mais-valia) – de que sinuosamente alguns espíritos «espertos» (repetindo, nos seus panegíricos, a recitação coreografada de cartilhas afinal bem gastas) persistem em querer tirar proveito ideológico. Já no que diz respeito, porém, ao «abichamento»(24) dos lucros resultantes da exploração do trabalho alheio, em contrapartida, e para geral aconchego das suas bolsas e consciências, eles revelam-se, em geral, bem mais vigilantes e cuidadosos, menos propensos a «enganar-se» …
    Nesta oportunidade, vale a pena recordar em desabafo – porque é flagrante a sua pertinência de contexto – uma exclamação que Marx não se inibe de soltar, ainda que a propósito de mais um outro destempero dos «economistas vulgares»:
    «Voilà le crétinisme bourgeois dans toute sa béatitude!»(25) – «Eis o cretinismo burguês em toda a sua beatitude!».

    Notas

    (1) Com efeito, no entender do próprio Marx, o Livro segundo de O Capital, pelo rumo que a sua redacção estava a tomar, apresentava-se, em virtude da própria natureza das matérias tratadas e dos meandros que importava esclarecer, como «em grande parte demasiado teorético». Cf. MARX, Brief an Engels, 14. November 1868; MEW, vol. 32, p. 204.
    (2) ENGELS, Brief an Friedrich Adolph Sorge, 3. Juni 1885; MEW, vol. 36, p. 324.
    (3) Não é o momento aqui de aprofundar este tema. No entanto, é conveniente nunca perder de vista uma conhecida observação – talvez, para alguns, perturbadora – que Lénine, no decorrer da sua leitura da Ciência da Lógica de Hegel, anota num dos seus aforismos dos Cadernos Filosóficos:
    «Não é possível compreender plenamente o “Capital” de Marx e particularmente o seu I capítulo sem ter estudado a fundo e sem ter compreendido toda a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx !!», Vladimir Ilitch LÉNINE, Conspecto do livro de Hegel “Ciência da Lógica” (1914); Obras Escolhidas em Seis Tomos, ed. José Barata-Moura, Francisco Melo, e José Oliveira (doravante: OE6), Lisboa – Moscovo, Edições «Avante!» – Edições Progresso, 1989, vol. 6, p. 164.
    (4) MARX, Das Kapital II, I, 1, III; MEGA2, vol. II/13, p. 46.
    Também, designadamente, na Ciência da Lógica, Hegel havia observado que «no resultado está essencialmente contido aquilo de que ele resulta» , Georg Wilhelm Friedrich HEGEL, Wissenschaft der Logik (1812), Einleitung, Allgemeiner Begriff der Logik; Theorie Werkausgabe, red. Eva Moldenhauer e Karl Markus Michel, Frankfurt am Main, Suhrkamp Verlag, 1969, vol. 5, p. 49.
    (5) MARX, Das Kapital II, I, 4; MEGA2, vol. II/13, p. 93.
    (6) Cf. MARX, Das Kapital II, I, 5; MEGA2, vol. II/13, p. 116.
    (7) Cf. MARX, Das Kapital II, II, 16, I; MEGA2, vol. II/13, p. 281.
    (8) Marx considera que esta «confusão» de categorias corresponde a um «erro fundamental» em que a generalidade dos economistas burgueses com frequência incorre. Cf. MARX, Das Kapital II, II, 8, I; MEGA2, vol. II/13, p. 148.
    (9) Sobre a necessidade de estabelecer e de desenvolver, com correcção, tanto de um ponto de vista epistemológico como de um ponto de vista ontológico, a dialéctica do «abstracto» e do «concreto», veja-se, por exemplo: MARX, Ökonomische Manuskripte 1857/58, Einleitung zu den “Grundrissen der Kritik der politischen Ökonomie”, I, 3; MEGA2, vol. II/1.1, p. 36.
    (10) A ideia, nos seus traços genéricos, encontra-se esboçada já, pelo menos, desde 1848, quando se assinala que, ao forçar todas as nações do globo a adoptar, sob pena de naufrágio económico, o modo de produção capitalista (e os padrões civilizacionais que lhe correspondem), a burguesia «cria-se um mundo à sua própria imagem» – MARX–ENGELS, Manifest der Kommunistischen Partei, I; MEW, vol. 4, p. 466.
    Para Marx, com efeito, e de acordo com uma carta de 1858, «a tarefa propriamente dita da sociedade burguesa é a fabricação do mercado mundial (pelo menos, nos seus contornos) e de uma produção repousando na base dele.»
    Porventura, mais importante ainda – por tudo aquilo que revela quanto à abordagem intrinsecamente dialéctica dos problemas – é a percepção, nesta mesma carta igualmente evidenciada, de que esta mundialização dos mercados pode afectar, em relação ao continente europeu, o ritmo previsível (se perspectivado, em exclusivo, no seu âmbito) da precipitação dos processos revolucionários:
    «Não será ela [a revolução] neste pequeno canto [a Europa] necessariamente esmagada, uma vez que num terreno muito mais largo [a cena mundial dos mercados] o movimento da sociedade burguesa é ainda ascendente?» Cf. MARX, Brief an Engels, 8. Oktober 1858; MEW, vol. 29, p. 360.
    (11) Cf. MARX, Das Kapital II, II, 14; MEGA2, vol. II/13, p. 233.
    (12) MARX, Das Kapital II, I, 6, II, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 132.
    (13) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, I, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 460.
    (14) Marx revela uma nítida consciência do vínculo estrutural e funcional que subsiste, num marco de «mundialização» crescente, entre estas dimensões da «mercadorização» e do assalariamento, pondo por isso em evidência a sua articulação.
    A «produção capitalista desenvolvida» pressupõe a «dominação» de um regime assente no trabalho assalariado – que, inclusivamente, vai alastrando para esferas que, de entrada ou tradicionalmente, pareciam escapar-lhe (como, por exemplo, o campo das denominadas «profissões liberais» ou «independentes») –, o que acarreta, por outro lado (e com fundas implicações sistémicas), todo um incremento do «papel principal» que advém ao «capital-dinheiro».
    Deste modo, e por conseguinte, «na medida em que o sistema de trabalho assalariado se desenvolve, todo o produto se transforma em mercadoria», MARX, Das Kapital II, III, 20, XII; MEGA2, vol. II/13, p. 444.
    (15) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, I, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 460.
    (16) Como Marx não deixa de assinalar, a economia assente no crédito corresponde ela própria à forma mais desenvolvida da economia baseada no dinheiro, que acaba por ser comum (num quadro todavia de especificidades que importa não perder de vista) às diferentes figuras da produção de mercadorias. Veja-se, por exemplo, quanto a este ponto: MARX, Das Kapital II, I, 4; MEGA2, vol. II/13, pp. 107-108.
    (17) MARX, Das Kapital II, I, 1, IV; MEGA2, vol. II/13, p. 54.
    (18) MARX, Das Kapital II, III, 20, VIII; MEGA2, vol. II/13, p. 403.
    (19) Veja-se, por exemplo, aquilo que nos é documentadamente contado acerca das edificantes lições a retirar dos processos utilizados no negócio da edificação em Londres no século XIX. Cf. MARX, Das Kapital II, II, 12; MEGA2, vol. II/13, pp. 216-217.
    (20) MARX, Das Kapital II, II, 8; MEGA2, vol. II/13, p. 163.
    (21) MARX, Das Kapital II, I, 6, I, 2; MEGA2, vol. II/13, p. 124.
    Sobre algumas das implicações da necessária atenção a estas matérias num modo comunista de organização da sociedade, veja-se, por exemplo: MARX, Das Kapital II, II, 16, III; MEGA2, vol II/13, pp. 291-292.
    (22) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 20, X; MEGA2, vol. II/13, p. 409.
    (23) «Neste sentido,» – isto é, à luz da resplandecente concepção de que todo aquele que vende mercadoria (mesmo quando ela seja, afinal, e involuntariamente, ele próprio) é capitalista – «também o escravo devém capitalista, apesar de ele ser vendido como mercadoria de uma vez por todas por uma terceira pessoa; pois, a natureza desta mercadoria, [a natureza] do escravo de trabalho, implica que o seu comprador, não só a faz trabalhar [a essa mercadoria/escravo] cada dia de novo, como lhe dá também os meios de vida por intermédio dos quais ela pode sempre de novo voltar a trabalhar.» MARX, Das Kapital II, III, 20, X; MEGA2, vol. II/13, p. 409.
    (24) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, II; MEGA2, vol. II/13, p. 467.
    (25) MARX, Das Kapital II, III, 20, XIII; MEGA2, vol. II/13, p. 454.

    Escrito por José Barata-Moura
    01-Nov-2009

    O Militante>

    h1

    Esta semana, em Espanha.

    Novembro 8, 2009

    A derrocada de um viaduto em obras, à saída do túnel de Dos Valires, em Massana, Andorra, matou cinco portugueses e feriu seis, que já foram hospitalizados. Um trabalhador, que esteve preso nos escombros durante várias horas, foi retirado com vida sábado de madrugada e levado para o hospital, mas acabou por falecer. Pouco passava da meia noite quando o trabalhador foi retirado e não aguentou, após demasiadas horas preso no cimento. Segundo fontes no local a principal causa terá sido a hipotermia e a gravidade dos ferimentos.

    Tres personas de nacionalidad portuguesa murieron ayer en la localidad vallisoletana de Villacid de Campos tras colisionar frontalmente los dos turismos que ocupaban, según fuentes de la Guardia Civil y del Servicio de Emergencias. Las víctimas son J.A.D.G., de 36 años y residente de Miranda de Ebro (Burgos) y los ocupantes de un Seat Ibiza que eran padre e hijo, M.A.M.A., de 53 años, e I.M.A., del que se desconoce la edad, quienes al parecer se desplazaban a su país natal.

    h1

    Há 80 anos, depois de 1929, veio o fascismo…

    Outubro 14, 2009

    Privatização da companhia nacional de enriquecimento de urânio; exploração do túnel do canal da mancha; ponte de dartford; student loan company, são, entre outras, as medidas adoptadas pelo governo britânico para eliminar ou constranger o déficit, gerado pelos motivos que sabemos, nos quais a salvação da banca.

    Zapatero, recebeu a bênção do imperialismo, depois de entregar públicamente a vida das suas tropas, as quais, obrigados por missão humanitária, estão agora à disposição dos estados unidos para morrer no afeganistão. Enquanto o seu presidente viaja, espanha sofre um aumento de outros 2% de desemprego e uma reconsideração da moodys devido à exposição real que a inflaccionária borbulha imobiliária gerou, na pior das hipóteses perto de 240 mil milhões de euros.

    Brasil, são já 4 os incêndios acontecidos nas favelas durante este ano, algo insólito desde há décadas. Seguramente veremos umas olimpíadas muito divertidas, com cidades sem favelas e devidamente urbanizadas, nada comparado com as barracas de palha dos escravos da região norte do país.

    Sem deixar de entender que o número de emigrantes recenseados é sempre uma amostra da emigração real, entre 2005 e 2009 aumentou em 20.000 cidadãos o recenseamento de Portugueses nos circulos da emigração.

    Acabou-se a “cartilla de racionamiento” em Cuba!

     

    Mário Pinto
    h1

    Dia de vontades

    Outubro 11, 2009
    h1

    O partido xuxialista e o mês de Setembro 2009

    Setembro 24, 2009

    É um partido aldrabão

    Que promete tudo dar

    Depois de cada eleição

    Até nos tira o trabalhar.

     

    Com uma maioria absoluta

    Governaram-se com arrogância

    Usando de muita astucia

    E com indisfarçada ganância.

     

    No mês de Setembro serão julgados

    Justiça, tenho esperança no povo

    Eles já estão bem assustados

    E se a esperança voltasse de novo!

     

    Se a CDU bem se reforçar

    Acontecerá uma pura justiça

    Se este bom povo acordar

    Afastará os xuxialistas da liça.

     

    O PPD/PSD poderá ganhar

    Mas, sem uma grande votação

    E se este povo acordar

    Será na C D U pois então!

     

    O PS é carinhoso com o BE

    Para com eles se governar

    Vamos ao BE bater o pé

    Pois este vai-se bem desmascarar.

     

    Continuam a tentar enganar

    Outra coisa não sabem fazer

    É isto há 33 anos, que está a dar

     A esperança é, alternativa haver!

     

    O CDS/PP é o contra peso

    Que quer fazer bem a diferença

    Económicamente não está teso

    São mais fortes na sua crença…

     

     Sidónio Candeias
    Martigny 22.08.2009
    h1

    Faltam 5 dias, traz um amigo… também!

    Setembro 21, 2009

    Estamos a viver uma fase de clamor por mudanças substanciais na estrutura política do País. Não podemos desperdiçar a oportunidade de votar com plena consciência.

    Pensar a sério onde será depositada a confiança da representação para governar o país é função bastante importante, cada voto conduz à responsabilidade do eleito de corresponder com lealdade, dedicação, honestidade e eficiência.

    Por isso, vamos olhar para frente, é necessária uma política de Ruptura e Mudança! 

    Clica e informa-te
    Clica e informa-te
    Votemos pela Mudança!

     

    Sim, é possível uma vida melhor!

     

    Luís Reis
    h1

    “Eppur si muove!” – Greves metalúrgicas no Brasil (2)

    Setembro 20, 2009
    (continuação)
    Terminamos o texto (1), tratando as características do sindicalismo brasileiro ”amarelo”, exemplificadas num recente acordo entre quatro das centrais sindicais existentes e o governo Lula, desprezando a opinião dos principais e directos interessados, os trabalhadores aposentados.
    Este acordo de traição, que mereceu a pomposa designação de “Acordão da Previdência”, já firmemente denunciado pelas várias Federações de aposentados, foi entretanto rechaçado – e muito bem! –  pelas CTB (Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Brasileiros, recentemente criada pela anterior Corrente Sindical Classista, de orientação maioritariamente comunista/PCdoB), pela Nova Central e pela Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas). Entidades que também são representativas da classe trabalhadora, como o FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores), a Intersindical e o Conlutas, embora não tenham participado da reunião das centrais com o governo, também já firmaram posição contra o acordo. Até ao momento, as organizações dos aposentados mantêm-se na luta. O futuro próximo dirá se a sua justa luta derrotará ou não o golpe daquelas Centrais amarelas.
    Este caso ilustra bem a situação de divisão profunda do sindicalismo brasileiro, divisão agravada pelas concepções e práticas “amarelas” predominantes. Trata-se da aplicação das tristemente famosas teses do “sindicalismo de resultados”, que transforma os Sindicatos em entidades “negocistas”, totalmente de costas viradas aos trabalhadores que dizem representar e que nas “mesas negociais” assinam sempre acordos com os patrões, mesmo que tais acordos se traduzam em legitimar perdas salariais reais, perda de direitos e regalias, redução de postos de trabalho, períodos de “lay-off” impostos pelo patronato, etc. A pretexto do estafado “combate à crise”, nos últimos meses estes acordos/”negócios” tem sido frequentes, infelizmente para os trabalhadores brasileiros, traindo os seus interesses próprios e difundindo no seio do proletariado ideias de conciliação que tanto atrasam a elevação da sua consciência política de classe.
    Trata-se das práticas e dos propósitos do “sindicalismo” reformista, economicista, tão do agrado do grande capital, uma orientação que “infecta” numerosos Sindicatos, tanto no Brasil como noutros países, Portugal incluído – neste caso, felizmente, muito circunscrito aos Sindicatos da UGT e pouco mais.
    O sindicalismo “amarelo”, de facto, desempenha um pernicioso papel de traição e divisão dos trabalhadores. Combatê-lo é tarefa central e permanente de todos os comunistas, de todos os marxistas-leninistas. Entre outros, existem dois métodos comprovados para travar este combate: uma efectiva democratização da vida e das actividades dos Sindicatos e uma real linha de massas na acção dos seus dirigentes.
    Agindo para garantir constantemente a participação dos trabalhadores associados na intervenção geral do Sindicato, na discussão e decisão sobre as suas reivindicações, na definição das formas de luta adequadas para as conquistar, na eleição de fortes e actuantes estruturas de delegados sindicais, na construção amplamente alargada das listas de candidatos aos seus corpos dirigentes nos actos eleitorais, na elaboração de estudos sobre a classe, na realização frequente de Encontros, Conferências e Congressos que alarguem a participação da massa crítica dos trabalhadores, para melhor definir políticas e rumos de acção.
    Trabalhando para uma efectiva e constante ligação do Sindicato e dos seus dirigentes aos locais de trabalho, um conhecimento profundo dos problemas vividos pelos trabalhadores, sindicalizados e não sindicalizados, efectivos ou precários, com uma informação permanente colhida directamente nas empresas e locais de trabalho sobre as suas realidades económicas, sociais, funcionais, políticas, uma auscultação permanente sobre o estado de espírito existente entre os trabalhadores, a adopção de medidas de informação – escrita, oral, virtual – que reforcem os sentimentos de unidade e de luta, procurar a participação da massa dos trabalhadores em todas as reivindicações e lutas a decidir, bem como o seu atento acompanhamento ao desenrolar dos processos de negociação da sua contratação colectiva com os patrões respectivos.
    Começamos por um retrato rápido e limitado das lutas operárias no Brasil e terminamos com ideias sobre o combate ao “sindicalismo” fingido que é parte integrante do sistema de exploração e opressão do capitalismo.
    Começamos com boas notícias sobre a disposição combativa daqueles trabalhadores, em luta pelos seus direitos e interesses e concluímos com uma tarefa de primeira grandeza dos revolucionários, a saber, o combate frontal e determinado contra uma manifestação particular, no movimento operário, das políticas conciliatórias típicas dos reformistas e dos revisionistas do marxismo-leninismo, uns e outros irmanados no propósito de mascarar o carácter desumano do capital e semearem ilusões sobre um mirífico “capitalismo bom”, que aceitaria ser co-gerido pelos trabalhadores – com a “diligente” ajuda destes representantes de uma aristocracia operária vendida ao patronato explorador. A uns – os capitalistas – e a outros – os dirigentes sindicais “amarelos” – não podemos conceder tréguas. O desenvolvimento da luta de massas, esteio certo e insubstituível das transformações políticas progressistas, exige-nos muita firmeza e determinação. Os trabalhadores, nossos irmãos de classe, reclamam isso de nós. Saibamos cumprir aquilo que é um dever militante nosso.
     
    (Adenda 19/09)
    A luta dos metalúrgicos intensifica-se e estende-se a mais empresas!
    Na região do ABC paulista [1], cerca de 60 mil metalúrgicos dos setores de autopeças, máquinas e equipamentos e componentes ferroviários iniciaram greve por tempo indeterminado nesta sexta-feira, após assembléia geral na noite de quinta-feira.
    Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, os 60 mil trabalhadores reivindicam o mesmo acordo aprovado no sábado passado pelos trabalhadores de montadoras da região, de reajuste de 6,53%, mais abono correspondente a um terço do salário médio do grupo.
    Metalúrgicos da General Motors (GM) em São Paulo decidiram nesta sexta-feira parar por tempo indeterminado, em protesto por reajuste salarial entre 10% e 14,65%, informaram sindicatos. Pela manhã, trabalhadores dos primeiros turnos da montadora em São José dos Campos e em São Caetano do Sul decidiram pela paralisação, e a tendência é que os demais turnos das fábricas sigam a decisão.
    A GM em São Caetano do Sul emprega cerca de 10.500 funcionários e, em São José dos Campos, outros 8.500 trabalhadores.
    Em São Caetano, a GM produz os modelos Astra, Vectra, Classic e família Corsa, a uma média de 852 veículos diários, segundo o sindicato de metalúrgicos, filiado à Força Sindical. Os trabalhadores da região pedem 10% de reajuste e R$ 2 mil de abono.
    Em reunião na véspera com sindicatos de São Caetano e São José dos Campos, a empresa manteve oferta de 6,53% de reajuste, mas elevou a proposta de abono de R$ 1.500 para R$ 1.750.
    Os trabalhadores de São José dos Campos pedem 14,65% de reajuste. A montadora produz na região modelos Corsa, picapes S10 e Montana e veículos desmontados para exportação (CKDs).
    [1] Nota – designação para um conjunto de três municípios (Sto André, S. Bernardo e S. Caetano – na verdade são quatro, hoje também com Diadema), na região sudoeste da alargada malha urbana da grande São Paulo, de grande concentração industrial e onde “nasceram” o PT e o Lula, com a ajuda “desinteressada” da igreja e de mais alguns mecenas, ocupando um espaço que os comunistas não souberam/puderam ocupar.
    Júlio Filipe
    h1

    Programa eleitoral da CDU para as Comunidades Portuguesas – 2ª parte

    Setembro 11, 2009

    A CDU afirma o seu propósito de prosseguir a sua acção e luta por um conjunto de

    medidas que correspondem às justas aspirações das comunidades portuguesas,

    assumindo o compromisso de na próxima legislatura continuar a sua intervenção

    nas seguintes direcções:

     

    1. urgente correcção da política de abandono dos sucessivos governos, exigindo a

    divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro. A CDU reclama um maior

    investimento em meios humanos, técnicos e materiais e a definição de um programa que

    defenda e valorize a língua e cultura portuguesas no estrangeiro e, através de uma linha

    de acção própria, promova o seu ensino nas comunidades;

     

    2. a melhor utilização dos meios que o Estado português tem ao seu dispor,

    nomeadamente através do sector público de comunicação social (antenas internacionais

    da RTP e RDP e Lusa), para promover o português como língua materna e língua

    estrangeira; a par de uma melhor coordenação dos serviços existentes, designadamente

    no Ministério da Educação e no Ministério dos Negócios Estrangeiros/Instituto Camões;

     

    3. o reconhecimento do importante papel que as Associações e Comissões de Pais

    desempenham na organização de cursos de português, estimulando a sua criação e

    desenvolvimento e dando a ajuda que elas justificam;

     

    4. o indispensável apoio efectivo às organizações dos jovens lusodescendentes, assim

    como às iniciativas a eles destinadas, promovendo e apoiando projectos de intercâmbio

    (no plano escolar, cultural e profissional) que permitam aos jovens conhecer melhor o

    nosso País e estreitar a sua relação com Portugal;

     

    5. o apoio ao movimento associativo das comunidades, respeitando a sua identidade e

    diversidade, bem como aos órgãos de informação da nossa diáspora desenvolvendo

    linhas específicas de colaboração para o desenvolvimento da sua actividade;

     

    6. a garantia de serviços consulares modernos, eficazes e acessíveis, em conformidade

    com os interesses do país e das comunidades e que respondam eficazmente aos novos

    problemas decorrentes dos novos fluxos emigratórios. É necessário pôr termo ao

    processo de desmantelamento dos serviços, pugnando pela sua eficácia, garantindo não

    só uma melhor imagem de Portugal mas um melhor atendimento à Comunidade;

     

    7. a necessária definição de uma política para o investimento em Portugal por parte dos

    emigrantes, potenciando a captação das suas remessas, através de ajudas que orientem

    os investimentos em sectores produtivos, e medidas de apoio ao investimento em

    pequenas empresas, sediadas prioritariamente nas suas regiões de origem;

     

    8. a atenção a dar à situação dos reformados que trabalharam no estrangeiro

    implementando:

    - o reconhecimento, em Portugal, da situação de invalidez desde que a mesma,

    legalmente, lhes seja atribuída no estrangeiro;

     

    - o reconhecimento sem qualquer penalização, em Portugal, da situação de reformado,

    antes dos 65 anos de idade, desde que aos mesmos, legalmente lhes seja atribuída

    no estrangeiro;

     

    - a atribuição, caso permaneçam no país de acolhimento, da pensão mínima, desde que

    a soma das várias pensões seja inferior ao valor considerado como o limiar da

    pobreza, no respectivo país.

     

    9. a adaptação à situação dos emigrantes do regime jurídico para contagem do tempo de

    serviço dos ex-militares,

    para efeitos de reforma;

     

    10. a criação de um Fundo de Apoio Social, de carácter permanente, para os emigrantes

    carenciados;

     

    11. a promoção de uma coordenação eficaz na área da Segurança Social que impeça

    nos acordos assinados com outros Estados a dupla tributação;

     

    12. o combate eficaz às redes de contratação de mão-de-obra

    em condições de forte

    precariedade e sobreexploração,

    através de uma activa acção fiscalizadora junto das

    respectivas empresas contratadoras;

     

    13. o respeito pela autonomia do CCP, criando as condições técnicas e materiais

    indispensáveis ao seu regular funcionamento, dignificando o papel dos seus membros

    possibilitando o exercício pleno das suas funções junto do Governo em defesa dos

    interesses e aspirações dos portugueses da Diáspora.

     

    A CDU dirige-se a todos os que reconhecem a CDU como a força indispensável a uma

    nova política. A CDU empenhar-se-à para alargar o esclarecimento e ampliar, na

    consciência de mais e mais portugueses, a convicção de que o reforço da CDU é a

    garantia que abre um caminho de esperança de uma vida melhor para os portugueses

    que vivem dentro e fora do País.

     

    A CDU irá desenvolver uma campanha eleitoral alicerçada no tratamento dos problemas

    concretos do país e dos portugueses que trabalham e vivem no estrangeiro. Uma

    campanha que conta com o grande empenhamento dos seus candidatos e de todos os

    activistas da CDU, assente no contacto directo, na informação, no esclarecimento e no

    convencimento dos eleitores.

     

    Uma campanha que será um importante factor capaz de romper com sentimentos de

    desânimo, conformismo e tendências abstencionistas que anos de políticas de direita

    instalaram em muitos portugueses. Uma campanha marcada pela confiança alicerçada no

    património de trabalho e de acção da CDU em defesa dos interesses de Portugal e dos

    portugueses e ancorada nas propostas que a CDU apresenta às comunidades

    portuguesas.

     

    Setembro/2009

    h1

    Programa eleitoral da CDU para as Comunidades Portuguesas – 1ª parte

    Setembro 10, 2009

    A CDU apresenta-se a estas eleições como a grande força de esquerda, espaço de convergência e acção unitária de todos quanto aspiram a uma mudança de política, portadora de um claro projecto de ruptura com a política de direita e de cujo reforço depende uma viragem na política nacional e a construção de uma nova política e um novo rumo para Portugal e para a Diáspora.

     

    A CDU defende uma nova política para as Comunidades Portuguesas que tenha em conta os interesses de Portugal e dos portugueses e rompa com a repetida alternância entre PS e PSD – com ou sem o CDSPP – que há 33 anos nos governa. Uma nova política para as Comunidades Portuguesas centrada em 4 eixos fundamentais:

    1.º O reconhecimento das comunidades portuguesas como um vector estratégico para a afirmação e projecção de Portugal no mundo, rompendo com a prática de políticas externas que sistematicamente têm discriminado os portugueses e lusodescendentes residentes fora do território nacional.

    2.º A promoção, expansão e qualificação do ensino da Língua e Cultura Portuguesas tendo em conta as particularidades da nossa Diáspora, como forma de manter e reforçar os laços linguísticos, culturais e identitários das novas gerações de lusodescendentes com Portugal.

    3.º A garantia da existência de uma rede consular moderna e qualificada de forma a poder responder às necessidades das várias gerações de portugueses a residir no estrangeiro, bem como às novas realidades dos movimentos migratórios.

    4.ª Uma política que, a par da defesa da participação política, promova a participação cívica, o diálogo com as multifacetadas estruturas representativas da nossa Diáspora, e, em particular, respeite a autonomia do Conselho das Comunidades Portuguesas.

    A CDU caracteriza a política do Governo PS para as comunidades portuguesas, durante estes 4 anos, por uma acção governativa que, desmentindo os discursos demagógicos, desprezou o peso e a importância das comunidades portuguesas no todo nacional. As consequências negativas de tal política são evidentes nas seguintes vertentes:

     desinvestimento no ensino da língua e cultura portuguesas nas comunidades portuguesas;

     encerramento e despromoção de consulados de carreira com evidentes prejuízos para os utentes;

     recurso a mecanismos administrativos e financeiros para dificultar o funcionamento autónomo do Conselho das Comunidades;

      redução substancial o portepago aos órgãos de informação;

      pôs termo à conta “poupança emigrante”;

     manutenção da discriminação dos ex-militares emigrantes na contagem de tempo para efeitos de reforma.

     Para o PCP, para a CDU e para todos aqueles que se têm oposto a esta política, as eleições podem e devem constituir, no momento do voto, uma clara afirmação da vontade de uma ruptura com a política de direita dos sucessivos governos. O reforço da influência do PCP e da CDU é indispensável para a construção da alternativa política de esquerda em Portugal e na Diáspora.

    A CDU é a força portadora de um projecto e de uma política ao serviço de Portugal e do povo português que vive dentro e fora do país, em que o direito constitucional de emigrar deixe de ser uma gravosa alternativa à falta de emprego e de emprego com direitos, em resultado da política de direita que agrava as condições de vida dos trabalhadores e das suas famílias, por via do aumento do desemprego, da destruição do aparelho produtivo e geradora da desertificação de vastas regiões do país.

    h1

    Olha cá para dentro…

    Setembro 8, 2009

    -4,2%!
    Esta foi a quebra do PIB (produto interior bruto) Espanhol no último trimestre, comparativamente com período homólogo do exercício anterior. Menos 1,1% na taxa intertrimestral, melhor (0,5%) que a pior previsão. Considerando a conjuntura internacional, não parece nada digno de registo. Sobretudo aos olhos daqueles que, por exemplo, investiram em warrants (opção de compra/venda) pela negativa, mesmo que ditos investidores (cada dia em menor número) representem apenas uma variante necrófaga da nossa espécie. Este dado, toma pois relevância se atendermos a que significa a maior quebra do sector produtivo Espanhol desde 1970. Relevância que, por seu lado, se magnifica se realizarmos um exercício simples de cruzamento, entre este e outros aspectos com representação quantitativa:
    Observando o crescimento Alemão ou Francês do último trimestre (0,3%), poderíamos afirmar que Espanha continua mergulhada na recessão. Contudo, no conjunto da zona Euro, a diminuição do PIB é ainda mais significativa (-0.4%), revelando assim que, este país não tem capacidade de se destacar devido à sua política de subserviência e à falta de objectivos estratégicos, algo que nos recorda Portugal e a sua, bastante mais notável, dependência exterior. Situação que destaca, claramente, a consolidação da uniformização imperialista que fomenta os Estados Unidos. Resultado do abandono do tecido produtivo é também a perda da soberania nos mais diversos campos, a qual, quantitativamente, se poderia traduzir no resultado do IPC (inflação per capita), que, em Agosto, alerta sobre uma grave situação de deflação (-0,8%), o sexto pior resultado desde 1962.

    Se, não obstante, tivermos em atenção as 1.118.300 famílias que provam hoje a amargura da falta de pão, famílias nas quais nenhum dos seus membros trabalha; o 17,92% da população activa que se tornaram “rodas paradas de uma engrenagem caduca”, do capitalismo insaciável. Se nos dermos conta de que existem já mais de 4,1 milhões de desempregados. Então, poderíamos afirmar, não obstante uma agonizante recuperação económica, dilatada no tempo e carente de viabilidade como sistema, Espanha não resulta hoje atractiva para os emigrantes. Prova disso poderiam ser os dados que apontam para, no ano 2008, só 720.000 trabalhadores romenos ou 800.000 mulheres e homens de nacionalidade marroquina, permanecerem no Reino do despótico Juan Carlos. Mais, quando comparamos a cifra com o total absoluto anual nos 8 últimos anos, mais de 4 milhões de estrangeiros.

    Quanto aos europeus, excepto Roménia e Bulgária, referimo-nos a 288.000 trabalhadores residentes. É ainda importante mencionar que, no ano 2008, se verificou um decréscimo de 38% no global de solicitações e concessões de licença laborais (visados de trabalho). Porém, também para o círculo da Europa, excluindo Bulgária ou Roménia, se registaram e concederam, somente 122.000 solicitações de residência Estatística que, graficamente, se ilustraria como uma linha de evolução negativa de 135º.

    Por outra parte, debruçando-nos necessariamente sobre as condições de trabalho neste país, resulta que, em empresas de empreitada com 1 a 5 trabalhadores (legais), o índice de acidentes mortais na média dos 4 sectores mais importantes: Industria; Agricultura; Construção e Serviços, foi de 12,77%. O que indica uma redução substancial na evolução do quinquénio, ainda que penalizando particularmente o sector da construção, no qual faleceram mais de 24% dos acidentados. Como tal, o resultado deixa todavia patente a exploração e as condições esclavagistas que experimentavam os trabalhadores no passado recente, sem deixar de considerar positiva a melhoria verificada. Este estudo apresenta ainda uma convergência entre o número de nacionais e estrangeiros no que aos acidentados se refere, sem que se tenha aplicado qualquer critério etário.

    Definitivamente, este não é país de oportunidades!

    Como conclusão, e desde uma óptica mais patriótica, no que diz respeito especificamente aos trabalhadores Portugueses emigrados. Tornam-se um reflexo da nossa realidade enquanto país e das políticas que o nosso povo sustenta à 34 anos, as condições nas quais, estes, se vêem implicitamente obrigados a entregar a vida para ganhar o pão, como mão-de-obra barata e muitas vezes escravizada. O número de emigrantes falecidos Um exemplo; Outro; Outro; e os motivos…; Outro ;Outro; Outro, por motivo da assumida precariedade nos diferentes âmbitos, mesmo sem sugerir uma impressão alarmante (ainda que a morte de um trabalhador não deva ser nunca escamoteada), se ponderada em conjunto com factores tais como, a quantidade de Portugueses que aqui trabalham e aos quais, o governo de Sócrates atribui a condição de emigrantes em “itinere”, 50.000 (tentando justificar o desemprego crescente e recorde desde 1974); que constituamos, hoje, numa economia extremamente debilitada, um dos principais recursos para que o capital continue a gerar mais-valias e representemos, em 2008, 40% da emigração europeia que recebeu Espanha; a – possivelmente abjecta – existência da qual procuram fugir os nossos conterrâneos, apesar de se depararem com as contrariedades da falta de identificação com o entorno ou a viabilidade, mas fundamentalmente a esperança, que os mesmos depositam no país vizinho (o qual, como exposto, apresenta moldes similares às épocas mais negativas da sua economia) para alcançarem condições mínimas de subsistência, espelha o desespero – sem querer estabelecer paralelismos com os Africanos que perecem no estreito – de várias gerações de Portugueses, e, fundamentalmente, quão sombrio se apresenta o futuro da nossa juventude. Factos; Outro; Outro.

    Complexa de assimilar, a actual conjuntura social Portuguesa conserva fenómenos comuns àqueles que elevaram a vontade do povo até ao 25 de Abril. Um exemplo

    Noutras áreas, porém, poderíamos ainda constatar contradições dos governos do chamado “bloco central” (PS/D), enquanto se apresentam à população como movidos pela melhoria das suas condições de vida e assim pela eliminação do conjunto de carências que padecemos pela aposta política na subserviência e pelo prescindir da soberania na maioria dos aspectos (mesmo para países que se proclamam em depressão). Um exemplo; Outro; Outro; O mais importante.

     Finalmente, a verdade é que os trabalhadores Portugueses continuam a saltar para o vazio com a coragem que lhes engana o estômago. Deixando patente a desconfiança na nossa democracia. Vítimas da clivagem que promove o capital mas promotores finais desse mesmo classismo bacoco dentro de uma mesma classe. De recordar que, a arrogância, o despotismo, os muros que se levantam entre os homens, não são privilégio da direita. O hermetismo no relacionamento com os seus iguais acontece em todos os quadrantes políticos, alguns como apanágio da sua condição e como tal na sua grande maioria, outros como tentativa de distinção cultural; académica; intelectual; meritocrática ou estatutária, mas, soberbo hermetismo. É nesse sentido que se pode colocar a seguinte sugestão: A coerência com os princípios basilares do Socialismo é a única forma de aproximar a liberdade aos oprimidos, a única forma de compartir o caminho da revolução; a única forma de transmitir os motivos pelos quais é imprescindível mudar, que quem tem na mão o futuro; quem realmente pode mudar este paradigma, somos nós. Provável é também que surja uma questão em busca dessas novas alternativas, mas essa, essa é uma questão que pode devolver ao inquiridor.

    Mário Pinto, in “Pravda”
    h1

    A cabeça de lista da CDU pelo círculo de Fora da Europa, Inês Zuber, encontra-se no Brasil

    Agosto 31, 2009

    A cabeça de lista da CDU pelo círculo de Fora da Europa, Inês Zuber, encontra-se desde dia 26 de Agosto no Brasil para contactos com a comunidade portuguesa neste país onde deverá ficar até dia 31 de Agosto.

    images

    Acompanhada por Ildefonso Garcia, candidato da CDU residente no Brasil, iniciou os contactos com a comunidade portuguesa de S. Paulo. Os candidatos da CDU deverão ainda deslocar-se a Santos e ao Rio de Janeiro.

    Inés Zuber, deu uma entrevista ao jornal PORTUGAL EM FOCO realizada pelo  jornalista Armando Torrão, onde foram tratados assuntos referentes à emigração e às propostas da CDU para as comunidades. Na sede da OBORÉ, associação cultural, encontrou-se com Edmilson Costa dirigente do Comité Central do Partido Comunista Brasileiro que manifestou a sua solidaridade com a CDU e a nossa comunidade.Os candidatos da CDU visitaram também o Partido Comunista do Brasil tendo sido recebidos por Adalberto Monteiro membro da executiva nacional do PCdoB. Encontrou-se ainda com a direcção do Centro Cultural 25 de Abril, associação luso brasileira, tendo visitado a sua biblioteca, especializada em livros e documentos sobre a emigração portuguesa que contém o maior acervo documental no Brasil sobre a Revolução dos Cravos e da oposição ao regime fascista, incluindo colecção rara do Jornal Portugal Democrático. Organismo de Direcção do PCP na Alemanha apela à comunidade portuguesa para que vote  na CDU, a força mais consequente e mais séria na defesa dos direitos das comunidades. A comunidade portuguesa tem fortes motivos para condenar a política do Governo PS-Sócrates e exigir uma mudança democrática e de esquerda reforçando a votação na CDU.

     

    27.08.2009

    Seguir

    Get every new post delivered to your Inbox.