A ligação do Partido às massas Os comunistas no movimento associativo

O movimento associativo e popular constitui o maior espaço de intervenção social e de trabalho voluntário a nível nacional. Pelas suas características e influência real que exerce nas comunidades, o associativismo popular vem consolidando a sua afirmação como um poderoso movimento nacional de cultura, recreio e desporto, bem como uma inequívoca resposta social e de desenvolvimento local. Consolidou a sua capacidade de intervenção e dinamismo na sua estrutura nacional, a Confederação Portuguesa de Colectividades de Cultura e Recreio, aprofundando os processos de organização e coordenação nacional. O movimento associativo assumiu grande importância na luta contra o regime fascista. Apesar da vigilância apertada as «universidades do povo», como eram vulgarmente conhecidas as colectividades e associações, funcionaram como espaços de abordagem e discussão de problemas reais, verdadeiras escolas de vida colectiva. Uma forte realidade no concelho de Almada Em Almada, concelho de grande tradição operária, o movimento associativo, hoje já centenário, contava entre os seus sócios e dirigentes essencialmente com trabalhadores por conta de outrem, o que foi determinante na organização do movimento associativo e no desenvolvimento de lutas para alcançar melhores condições de trabalho e de vida. Com a Revolução de Abril, a população em liberdade quis participar na resolução dos problemas da sua rua, do seu bairro, e sentiu necessidade de se organizar. Assim, assistimos ao proliferar de colectividades e associações que, integrando muitos militantes e amigos do Partido, gente de diferentes formações, desenvolveram um importante trabalho com as várias camadas da população. Constituíram ao mesmo tempo espaços de formação de quadros, dos quais saíram a maior parte dos nossos primeiros autarcas. Apesar das transformações sociais operadas no concelho, principalmente com o desaparecimento das grandes empresas, nomeadamente da construção naval, o movimento associativo, com intervenção de muitos comunistas organizados, afirmou-se como um amplo espaço de participação popular, de formação de consciência política e social, de promoção de valores e concepções progressistas, continuando a ser um importante factor de desenvolvimento cultural, desportivo, económico, social e político ao nível local. Hoje, o movimento associativo participa de forma organizada e reivindicativa em comemorações como as do 25 de Abril, o 1.º de Maio ou outras acções de massas. O reforço da participação dos comunistas A presença dos comunistas no movimento associativo popular é essencial para o enraizamento e influência de massas do Partido. A iniciativa de organização deste trabalho não pode ser deixado ao cuidado do poder autárquico – Câmaras e Juntas de Freguesia. Esse é um trabalho do Partido e dos seus militantes que não deve ser descurado. É importante para a vida local que os comunistas assumam um papel decisivo na condução dos destinos das colectividades e associações, de forma a manter a intervenção do Partido bem inserida na vida das populações. Foi com a consciência de que é necessário trabalhar para o reforço da organização do Partido nesta área que a 10.ª Assembleia da Organização Concelhia de Almada, realizada em Maio de 2008, traçou linhas de intervenção. Tem-se procurado, quer ao nível das organizações de freguesia, quer da Coordenadora para o Movimento Associativo (que foi na sequência da Assembleia de Organização mais dinamizada), recensear quantos e quais os membros do Partido envolvidos nesta frente de trabalho, organizá-los e apoiá-los nesta tarefa, perceber, estudar e aprofundar os problemas que afectam o associativismo e contribuir, através da organização e da criação de espaços de debate (como por exemplo no quadro da preparação do XVIII Congresso), para a sua resolução, bem como promover a coordenação e a cooperação regulares com outras frentes de trabalho do Partido. É fundamental a ligação com a área do trabalho, uma vez que os dirigentes associativos são na sua esmagadora maioria trabalhadores por conta de outrem, sujeitos aos regimes laborais que têm na maior parte das vezes reflexos negativos no associativismo, nomeadamente devido à dificuldade em integrarem os órgãos sociais, pela disponibilidade exigida, pouco compatível com o crescimento da precariedade e instabilidade nos horários de trabalho. É também necessário manter ligações com a área do ensino, de forma a estabelecer entre a escola e o associativismo popular meios de educação para os valores da democracia e da participação. Ligações também com a JCP e com o trabalho do Partido com a juventude, de forma a promover o rejuvenescimento dos órgãos associativos, a transmissão dos valores e ideais associativos às camadas jovens. Os governos do PS, iniciando com Guterres, têm praticado um programa de descaracterização das colectividades de cultura e recreio, através do apoio financeiro e da obrigatoriedade de se transformarem em Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), confederando-se numa outra organização e levando a que muitas delas se dediquem só ao trabalho social, desligando-se do trabalho com os associados. Conforme a Resolução Política do XVIII Congresso do Partido, a acção dos comunistas nos movimentos unitários de massas deve pautar-se «por uma atitude de construção da unidade, da independência, de reforço da capacidade de luta desses movimentos, de elevação da consciência social e política de quem neles participa». Os comunistas, integrando estes movimentos, dinamizam-nos e transmitem confiança. São áreas de trabalho privilegiadas pelo contacto com pessoas muito diferentes, pessoas sem partido mas que precisamos de organizar em torno de objectivos comuns. É frequente, nas associações transformadas em IPSS, haver dificuldades de desenvolvimento do trabalho de organização e mesmo de sensibilização e esclarecimento. Facilmente somos remetidos para frases como «os partidos não são para aqui chamados», ou «estas pessoas são idosas, não têm partido». Esta é uma barreira que temos de ultrapassar, é preciso esclarecer e envolver, ganhando as pessoas para uma luta que também é sua, apelando e incentivando à sua participação nas diferentes formas de luta em prol de melhores condições de vida para a população. O contacto dos militantes com o movimento associativo deve ser permanente e é inegável que o Partido pode enriquecer-se e aprender com esta relação estreita. A participação activa dos militantes comunistas no movimento associativo pode significar: novas oportunidades de ligação às populações; acesso a mecanismos de concretização de políticas progressistas nas áreas da cultura, do desporto e do recreio; um forte envolvimento nas políticas e no desenvolvimento local; participação activa num importante espaço de debate ideológico e político; a possibilidade de contribuir para prestar serviços à população; um contributo fundamental para a integração social, os sentimentos de pertença e a identificação das populações com o seu território; relacionamento com diferentes sectores sociais num espaço de luta e reclamação por objectivos concretos e imediatos. Cabe ainda aos comunistas, nestes contactos, dar a conhecer as ideias e os objectivos do Partido, divulgar a imprensa partidária, já que estes contactos podem e devem constituir base de recrutamento para o Partido. O movimento associativo e popular transformou-se num poderoso movimento, cuja acção e intervenção convergem para a luta social e política, em conjunto com outros movimentos. A acção negativa da política de direita Os sucessivos governos não têm considerado o Movimento Associativo como parceiro cultural, desportivo e social, mas como uma realidade secundária, não atribuindo os meios financeiros correspondentes e tentando menorizar a sua acção. Conforme é dito na resolução do Encontro Nacional de Quadros sobre o Movimento Associativo, o Partido tem vindo ao longo dos anos a apresentar um vasto conjunto de propostas, em articulação com dirigentes e activistas, que traduzem as suas mais profundas aspirações. O facto é que estas propostas têm encontrado oposição por parte dos outros partidos na Assembleia da República, dos sucessivos governos e das suas políticas de direita e anti-associativas. Os novos desafios do movimento associativo levam a que os comunistas se mantenham atentos aos movimentos que descaracterizam a actividade, de que é exemplo a opção por dirigentes que são simultaneamente funcionários levar à estagnação da criatividade, tornando-se necessário defender os dirigentes voluntários. Mantendo a tradição das colectividades e associações nos fins para que foram criadas, prosseguir o caminho da inovação e qualificação nas actividades, chamando a si camadas mais jovens de dirigentes que com moderação podem ir substituindo aqueles que neste momento são uma reserva histórica do movimento associativo e que terão o seu espaço para transmitir saber e experiência, é um caminho seguro para o reforço do movimento associativo e do aumento da ligação do Partido às massas e do seu prestígio e enraízamento.

Escrito por Antónia Lopes   
06-Jul-2009
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