Imperialismo e poesia

Depois de ler este poema: “Vosotros, que surgiréis del marasmo en el que nosotros nos hemos hundido, cuando habléis de vuestras debilidades, pensad también en los tiempos sombríos de los que os habéis escapado. Cambiábamos de país como de zapatos a través de las guerras de clases, y nos desesperábamos donde sólo había injusticia y nadie se alzaba contra ella. Y sin embargo, sabíamos que también el odio contra la bajeza desfigura la cara. También la ira contra la injusticia pone ronca la voz. Desgraciadamente, nosotros, que queríamos preparar el camino para la amabilidad no pudimos ser amables. Pero vosotros, cuando lleguen los tiempos en que el hombre sea amigo del hombre, pensad en nosotros con indulgencia.” Poema de Brecht, de quem nunca é só mais um, “Aos homens futuros” , o qual só encontrei em Castelhano seguramente por residir em Espanha, uma vez mais constato como a poesia nos pode ajudar a trilhar o caminho. 

Assim, como comunista, sei que Lenine se debruçou sobre a seguinte questão de forma bastante mais ampla e correcta. Contudo, como também com os camaradas devemos e podemos dissertar, ou sobre as sua opiniões dissentir, transcrevo um excerto, “contradições principais do regime capitalista”, de um livro de Bukharin, com a intenção de, mesmo de algo incompleto, contruir uma possivel humilde contribuição dentro do objectivo ao qual nos propômos:

” Agora, é preciso indagar se a sociedade burguesa está bem construída. Uma coisa só é sólida e boa quando todas as suas partes se ajustam perfeitamente. Tomemos, como exemplo, um mecanismo de relógio: ele só funciona regularmente e sem parar, quando cada roda se adapta bem à roda vizinha, dente por dente.

Consideremos, agora, a sociedade capitalista. Notamos, sem esforço, que ela não está solidamente construída, como parece, e que, pelo contrário, deixa transparecer grandes contradições e apresenta graves fendas.

Antes de tudo, no regime capitalista, não existe produção nem repartição organizadas das mercadorias; há anarquia da produção. Que significa isto? Significa que cada patrão capitalista (ou cada associação de capitalistas) produz as mercadorias independentemente dos outros. Não é a sociedade inteira quem calcula o que lhe é preciso, mas simplesmente os industriais que fazem fabricar, visando somente à realização do maior lucro possível e a derrota de seus concorrentes no mercado. Por isto, produzem-se, por vezes, mercadorias em excesso (trata-se, evidentemente, da situação anterior à guerra) e que não se podem comercializar, sendo que os operários as não podem comprar por falta de dinheiro. Então, sobrevém uma crise: as fábricas são fechadas, os operários postos no olho da rua.

Ainda mais, a anarquia na produção arrasta consigo a luta pelo mercado; cada produtor quer retirar ao outro seus compradores, atraí-los para o seu lado, açambarcar o mercado. Esta luta assume diversas formas, múltiplos aspectos, começando pela disputa entre dois fabricantes e acabando pela guerra mundial entre os Estados capitalistas para a partilha dos mercados do mundo inteiro. Não se trata pois, apenas das partes integrantes da sociedade capitalista que se entrosam uma na outra, mas, de um verdadeiro choque entre elas.

Portanto, a primeira causa da desarmonia do capitalismo é a anarquia na produção, que se manifesta pelas crises, pela concorrência e pelas guerras.

A segunda causa de desarmonia é a divisão em classes. Porque a sociedade capitalista, no fundo, não constitui uma única sociedade, mas está partida em duas sociedades: os capitalistas, de um lado; os operários e os pobres, do outro. Estas duas sociedades hostilizam-se mútua, irreconciliável e continuamente; hostilidade que se traduz pela luta de classes.

Vemos de novo que as diversas partes da sociedade capitalista, não só não se ajustam umas às outras, como se encontram em contínuo antagonismo.

O capitalismo se desmoronará ou não? A resposta depende do seguinte exame: se, observando o desenvolvimento tomado pelo capitalismo no correr dos tempos, vemos que suas contradições vão diminuindo, podemos profetizar-lhe uma longa vida; se, pelo contrário, descobrirmos que, com o tempo, as diversas partes da sociedade capitalista se chocam cada vez mais fortemente, e de modo inevitável, e que as fendas desta sociedade devem, de modo não menos inevitável, transformar-se em abismos, então poderemos entoar o De Profundis… É preciso, pois, estudar o desenvolvimento capitalista.”

Sem deixar de manter presente a plus-valia, enquanto elemento de suporte deste sistema e factor com um peso substantivo no potenciar da clivagem, hoje, depois da polarização dos estados colonizadores e outros que não tanto mas também (se considerarmos o usufructo da matéria prima; recursos e a imposição de mão de obra barata e muitas vezes ilegal,  mesmo com intermediários, uma outra forma de colonização), nos Estados Unidos. Seguramente, também, devido à existência durante muitos anos de dois únicos blocos, podiamos acreditar que a tendência natural seria a multi-polarização. Porém, devido à militarização, durante esse período e através de inúmeras formas -bases; contigentes; dependência; intervenções como as registadas no Kosovo ou na Geórgia e um vasto leque de tácticas corruptas e corruptoras- levada a cabo pelos norte americanos; com à desaparição da URSS; com uma influência yankee ampliada no Pacifico, Filipinas, Iraque, Afeganistão e assim pelo quase monopólio do ouro negro, ocupando áreas de protocolo com a China (caso de muitos países africanos), magnificando conflictos como India/Paquistão, podemos concluir que, mais que nunca, na nossa Era, a guerra é o mecanismo com o qual o actual imperialismo se pretende (em vão) consolidar.

Neste sentido, acredito -suponho que em linha com o pensamento de Marx no relativo à expansão revolucionária- que, uma das naus que devemos tripular é a da Paz, apoiando os pacifistas de todo o mundo (começando por impedir que os Portugueses sirvam de novo os interesses da corja, como carne para canhão), protagonizando e apoiando iniciativas, promovendo o diálogo e o esclarecimento. Esse poderá ser, e estou convicto que o é, o rastilho da mobilização que, a par das necessárias mas incorrectas nacionalizações que começam a aceitar como vitais os capitalistas, pode abrir a porta para mudar realmente esta sociedade, para transformar o mundo!

Mário Pinto

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por Blogue da Emigração Publicado em Política

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