Deputado do PCP integra delegação de solidariedade com Aminetu Haidar


João Ferreira desloca-se a Lanzarote para prestar solidariedade à activista sarauí Aminetou Haidar, em greve de fome desde o dia 15 de Novembro.

De forma a mostrar o seu apoio e solidariedade a Aminetu Haidar e pressionar os governos Espanhol e Marroquino a encontrar uma solução para o caso, o deputado do PCP no PE, João Ferreira, integrará uma delegação do seu Grupo, o GUE/ NGL, (como já referido em nota à imprensa), a Lanzarote, amanhã, 10 de Dezembro.

Relembramos que a activista saharaui pelos direitos humanos e pelo direito à autodeterminação do seu povo, Aminetu Haidar foi detida pelas autoridades marroquinas quando regressava a El Aaaiun, no Sahara Ocidental, em 14 de Novembro e obrigada a embarcar para Lanzarote, nas Ilhas Canárias, onde se encontra em greve de fome desde então. O seu estado de saúde é de grande fragilidade, correndo mesmo perigo de vida.

Os deputados do PCP no PE reafirmam uma vez mais a sua solidariedade com Aminetu Haidar e com a luta do Povo Saharaui, dando seguimento a outras acções por si desenvolvidas, exigindo uma solução imediata para o caso e o direito reconhecido internacionalmente à autodeterminação do povo saharaui, cujo território se encontra ocupado desde 1975 pelo Reino de Marrocos.

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O caso de Aminetu Haidar e a violação dos Direitos Humanos no Sahara Ocidental
A boa vontade e o cinismo de Marrocos avaliam-se pelos actos

Carcel Negra – El Aiun – Sahara Ocidental – foto clandestina:

2005 – o estado em que ficou Aminetu Haidar após uma manifestação pacífica em El Aiun, a cidade natal onde quer regressar:

O cônsul de Marrocos nas Canárias, Abderrahman Leibek, assegurou hoje que a activista saharaui Aminetu Haidar — que leva já 17 dias de greve de fome no aeroporto de Lanzarote — pode ter um novo passaporte marroquino “em meia hora” desde que peça «perdão» ao «seu rei, Mohamed VI,» na sequência do seu “acto de traição à sua pátria” e reconheça que a sua nacionalidade é marroquina.
“Tem que pedir perdão à mais alta instância de Marrocos o Rei, e, quando esta instância lhe tiver perdoado, eu não tenho nenhum inconveniente em passar-lhe um passaporte à Haidar em meia hora”, sentenciou o cônsul numa conferência de imprensa; acrescentando no entanto, que teria que ser ela a ir buscá-lo ao consulado marroquino, em Las Palmas da Grã Canária.
Abderrahman Leibek afirmou que “não acredita na greve de fome ” de Haidar e afirmou que o Sahara Ocidental “já é marroquino e que nada nem ninguém poderá torcer o braço de Marrocos quanto à sua marroquinidade”.
Também ontem, o embaixador de Marrocos junto da União Europeia, senhor Menouar Alem, afirmou que a activista saharaui Aminetou Haidar é “a única responsável ” da sua situação, em que se ” colocou conscientemente” ao “negar-se a submeter aos requisitos legais de entrada no território nacional.
Acrescentando: o intergrupo parlamentar do Parlamento Europeu ” afana-se desde há vários dias em protestar junto dos eurodeputados na base de informações erróneas sobre os maus tratos que teriam sofrido cidadãos ‘marroquinos nas províncias do sul”, numa alusão aos saharauis.
Comentário:

A antiga colónia do Sahara Ocidental está, em parte, ocupada ilegalmente pelo Reino de Marrocos desde finais de 1975, sem que até hoje nenhum país ou instituição tenha reconhecido a soberania marroquina sobre esse território (cerca de ¼ do território está sob controlo do movimento nacional de libertação, a Frente Polisario);
Desde há 18 anos que o povo saharaui espera que as Nações Unidas apliquem aquilo que foi apresentado como a solução do problema e que, na altura, foi aceite pelas duas partes em conflito – o Reino de Marrocos e a Frente Polisario -: um Referendo de Autodeterminação Livre e Justo (a ONU procedeu já ao censo da população com direito a votar e definiu as questões a colocar no referido referendo: Integração em Marrocos; Autonomia dentro do Reino de Marrocos ou Independência).
O Reino de Marrocos, não tendo conseguido deturpar os cadernos eleitorais através da introdução de dezenas de milhar de cidadãos que afirmava terem a mais «genuína» origem saharaui, recusa-se a realizar o referendo de autodeterminação, no que tem sido apoiado pelo seu tradicional aliado – a França – com a colaboração conivente também dos EUA e de Espanha.

O Reino de Marrocos não está objectivamente interessado em saber se os cidadãos do território do Sahara Ocidental querem, ou não, ser marroquinos. Tem medo dessa expressão de vontade. Sabe que, a realizar-se o Referendo Livre, Justo e Democrático a população saharaui optará pela Independência. Isso é muito claro.
As Nações Unidas têm uma grave responsabilidade em todo o processo. Desde que, em 1991, foi acordado o cessar-fogo entre as partes, e implantada na região a Missão da ONU para a organização do Referendo no Sahara Ocidental – MINURSO, com a missão de pacificação, observância do cessar fogo e organização do referendo ao povo saharaui para determinar o futuro estatuto do território do Sahara Ocidental, as Nações Unidas nada fizeram para impor a Marrocos as condições aprovadas pela Comunidade Internacional.

 

Xanana Gusmão, ainda das montanhas de Timor-Leste, pedia com carácter de urgência o texto do Plano de Paz para o Sahara Ocidental, porque isso…poderia ser um valioso precedente para a luta no seu país !! Hoje, passados todos estes anos, a ONU nada fez para o concretizar; e enquanto que, em TL, promoveu o censo, realizou o referendo a uma população incomparavelmente maior (os votantes saharauis pouco ultrapassam os 84 mil votantes) e o território assumiu o destino escolhido pelo seu povo; no Sahara Ocidental continua a prevalecer a ocupação, a repressão à população, o encerramento do território aos observadores e à Comunicação Social internacionais.
Uma última questão: quanto aos maus tratos estamos conversados!

Marrocos, na opinião do senhor Cônsul ou do Embaixador junto da UE, é um paradigma da defesa das Liberdades Públicas e dos Direitos Humanos. Os sistemáticos relatórios da Amnistia Internacional, Comissão dos DH da ONU, Human Rights Watch, Relatório do Parlamento Europeu e outras organizações dos DH de reconhecido mérito comprovam justamente o contrário, em particular, no território do Sahara Ocidental, não obstante a população saharaui ser hoje minoritária face à vaga de colonos marroquinos que o regime de Rabat tem tratado de enviar para o Sahara Ocidental. Os relatórios estão aí para quem os quiser ler e as imagens que conseguem chegar aos Medias internacionais são, no mínimo arrepiantes.

Parece-nos que não é Aminetu Haidar quem deve pedir «perdão» a Sua Majestade o Rei Mohamed VI de Marrocos para assim obter o seu passaporte e poder regressar a El Aiun — como diz o Cônsul marroquino nas Canárias — mas sim a Monarquia marroquina quem deve pedir perdão ao povo saharaui por 35 anos de sofrimento.

Lisboa, 02 de Dezembro de 2009

A Associação de Amizade Portugal/Sahara Ocidental

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4 comentários a “Deputado do PCP integra delegação de solidariedade com Aminetu Haidar

  1. Lutar pelo que é justo torna-nos Seres Humanos e distancia-nos do irracional

    Marilia Gonçalves

    Mulher e Solidária

    Sou negra hindu pele vermelha
    árabe, persa asiática
    morena, branca, amarela,
    sou incolor, aquática…
    Sou rude como montanha
    sou macia como arminho
    tomo qualquer forma estranha
    de cada irmão que adivinho
    Sou feita de ar e de sol
    de luz, de sangue de vento,
    tenho a voz dum rouxinol
    a soltar-me o pensamento.
    Sou mistura conseguida
    do humano universal
    fecundo fruto da vida
    porque a vida é natural.

    Marília Gonçalves

  2. Olá Marília, o teu poema é extraordináriamente bonito, e de grande humanismo.
    O facto de conhecer este excelente conteúdo das tuas palavras, é já um grande previlégio, é caso para dizer que conseguis-te dizer muito com poucas palavras!
    Se estas pudessem ser cotadas como a bolsa, estou seguro que teriam um forte valor individual, e quando se conseguem juntar, na forma poética com é o caso, para mim têm um valor incalculável!
    Felicitações!!! Boas festas, e coragem para enfrentar o próximo…

    Sid

  3. Boas festas a todos os camaradas e amigos, que se encontram do lado de cá da vida, e que estão empenhados, em contribuir para que um mundo novo seja possível!
    Para todos desejo muita saúde e, coragem para fazer face, a este mundo globalizado pelo mal, que quer cada vez mais aproveitar-se de quem trabalha, explorando-nos de forma desenfreada, que por vezes faz lembrar a escravidão…
    Podemos ser poucos mas, somos conscientes e preserverantes, até à vitória final, que é o fim da exploração do homem pelo homem…

    Sid

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