Falo

falo
da vida
da pura e exuberante alegria dos amantes
dos seus corpos
que renascem
do riso solto
do sorriso prendido
mas diabólico
no olhar

falo
do trabalho
do prazer de modificar(mos)
da acumulada sabedoria das mãos
e da inteligência

falo
da aleluia
das ideias
dos actos
dos corpos uníssonos

uma certa via
para o restabelecimento das verdades

falo
dos tantos rostos despertos
no logo manhã
de nos irmos ao trabalho

é uma plêiade de ardores que passam
no luxuriante perfume
de o dia ser recente e estar(mos)
desperto(s)

frescas
as caras
e os andares
audazes

há muita esperança simultânea
nas manhãs

refluir
de acreditares
que o cada dia novo
levanta

como
mais um ensaio
hipótese de quimera
braço de vontade
esquina próxima
esquivo
acaso

um objectivo
além


nestas certas manhãs
um desusado ajuntamento
dos corações
dos sangues
das
gentes

prisma
ângulo quase perfeito
de como o humano
é
belo

e se pode
puro
e
dado
espontâneo
e
pacífico
solto
e
possuído
de
paixão

flanqueado pela novidade
reverberante
alegria

o grande desprendimento
da vida
a sua riqueza vária
e exuberante

deflagrando
o dia

 

Filipe Chinita

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7 comentários a “Falo

  1. Uma estética comprometida com a vida no que ela pode ter de muito forte e regenerador, exuberante e contido, subindo com a manha~ em direccao ao dia dos homens, aos dias de luta, por sendas obscuras ou sábias.

  2. Muito mais do que um poema de energia Coruja, muito mais do que reluzentes manhãs revestidas de uma nova página em branco por preencher.
    Gostei muito, pela sua suposta aparência branda e ao mesmo tempo de uma profundidade quotidiana, violenta também.
    Quanto aos acordados, não resulta desse estado, a desperticidade. Por isso a luta também nessa medida, já é, gestações conscienciais.

    Abraço,

  3. Genuínamente todos os sentidos e sentimentos que exalam da nossa pele, numa exaltação à vida!

    Um poema lindo…amanhecido!

  4. O Poeta continuou a receber prendas, os comentários anteriores celebraram nos versos a presença do dia 08-03-10. E dizeram o essencial sobre o Poema, melhor dizendo sobre o conteúdo e a sua magnífica forma. O Poema regista dois momentos distintos, as 4 primeiras estrofes invocam situações de dualidade que se podem multiplicar até ao infinito. A partir do verso que termina com a palavra fulcral VERDADES sente-se o movimento da busca dessa Verdade e belamente surge a multidão, por quem se deseja lutar e por quem se deseja alcançar o dia de uma manhã que surja justa e rigorosa.FDC (1945)

  5. A incessante procura da perfeição, da verdade, da mudança, de um Mundo melhor que nos faz acreditar que os dias irão amanhecer mais prenhes de justiça de igualdade cujo trilho teremos de calcorrear juntos.”0s que acreditam” os que lutam os que amam e se entregam de corpo e alma à esperança.
    Este poema tem a profundidade a beleza e a convicção que vai na alma do poeta. Obrigada por este presente…partilha e dádiva.
    Abraço

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