25 de Abril

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 A luta continua!

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Um comentário a “25 de Abril

  1. Companheiro incansável Andrade da Silva,Companheiros de Luta e dor e desespero pela Pátria traída, Portugal atraiçoado, o 25 de Abril
    de rubros Cravos de Esperança perdendo-se por meandros de cobardia e obscurantismo, Amigos, Leitores

    se neste longo título passa um pouco do que me vai no íntimo
    eu Marília Gonçalves, venho pedir contas aos que confortavelmente se calam,contas pelas vidas dos meus, que heróicos se bateram por Portugal, meu pai, um poço de bondade e humanismo, de saúde tão frágil, que depois de passar pelas mãos da nojenta PIDE, nunca mais voltou a ter um dia de saúde, com vómitos de sangue, diante do olhar aterrado de meu irmão pequenino, que a cada dia pensava perder o pai
    pelo meu tio Alfredo Dinis “ALEX” cobarde e traiçoeiramente assassinado, revolucionário sim, dirigente Comunista, um homem de tanta ternura que nunca passava pela mulher, minha tia “Zefa” sem a beijar, que adorava o filho pequenino, doente, que morreu seis meses antes do pai! Pelo velho Vasconcelos o enfermeiro dos pobres da Penha de França 25 vezes preso, uma das quais no Tarrafal “o conde vermelho” que por sorte ainda viu Abril e seus cravos entre os quais se erguiam em flores de sangue a imagem de Adelaide e de Idalina , suas filhas mortas tuberculosas na flor da idade, em consequência das prisões do pai e da fome que as seguia! o velho Vasconcelos quase cego esteve presente no primeiro 1° de Maio e andou mesmo ao colo de Marinheiros, ao que uma revista francesa deu larga cobertura!
    e venho pedir contas pela minha falta de saúde que de menina de doze anos comecei a trabalhar, vendendo bolos e batatas fritas que minha mãe e minha avô materna faziam noite fora, para aos catorze anos decidida e digna desembocar em França, vivendo o trabalho e o cansaço como se de uma mulher formada se tratasse, venho pedir contas por minha infância que me foi arrancada, pelos meus estudos interrompidos, numa longa caminhada para Abril dos que destacando-se dentre a carneirada amaram e lutaram por Portugal, tudo dando de si! venho pedir contas pelos amigos presos, torturados, assassinados, vidas destruídas que tanta falta ficaram a fazer ao progresso de Portugal e à transformação das mentalidades, cuja paralisia transforma o nosso povo no “corno manso” esvaziado de toda a força viril e generosa que podia REERGUER PORTUGAL!
    e venho pedir contas por todos os filhos de presos políticos quer tenham visto, tal como eu o pai, ou a mãe, enjaulados por trás dum corredor de vidro com um carcereiro enfiando volta e meia o focinho nojento a relembrar a PIDE omnipresente! venho pedir contas, pelos filhos dos clandestinos que durante tempos infindos não podiam ver seus pais, num sofrimento atroz para uns e para outros!
    e tudo isto para quê?
    para que após essa magnífica e única madrugada da Abril e de todas as Conquistas que se lhe seguiram de direitos para quem anteriormente nunca os havia tido, se percam, se esfumem?
    MAIS UMA VEZ O POVO DE PORTUGAL, depois de conhecer a Luz da Liberdade, se deixe acorrentar numa anestesia do sentir e do pensar que o hão-de levar à perdição e à de seus filhos!
    e pelo silêncio dos que se calam,pela ignomínia dos que se vendem, vendendo Portugal em leilão,destruindo o bom que havia no país, eu, não a mulher de sessenta e dois anos, mas eu a menina que pagou no roubo de sua infância a Dignidade de Portugal e a de todos os que o salazariamo/caetanismo oprimiam, humilhavam, assassinavam além-mares, é pois a menina que se ergue de dedo acusador, contra os criminosos fascistas/nazis e contra todos os que silenciando consentiram
    Glória para sempre aos que venceram o medo e foram dignos representantes daquilo que são: SERES HUMANOS!
    e hoje acima de tudo acuso todos aqueles que pela sua cobardia e silêncio estão a assassinar a Esperança, mola real do progresso e da felicidade dos povos! fazendo-nos retroceder e cair no horror do passado

    Marília

    ACUSO

    Cavalo de vento
    Meu dia perdido
    O meu pensamento
    Anda a soluçar
    Por dentro do tempo
    De cada gemido
    Com olhos esquecidos
    Do riso a cantar

    Quem foi que levou
    A ânfora antiga
    Onde minha sede
    Fui desalterar
    Sementeira de astros
    Que o olhar abriga
    Por fora dos versos
    Que hei-de procurar

    Quem foi que em murmúrio
    Na fonte gelava
    Essa folha branca
    Aonde pensar
    Quem foi que a perdeu
    Levando o futuro
    Por onde o meu barco
    não quer navegar

    Quem foi que manchou
    a página clara
    Com água das sedes
    Que eu hei-de contar
    Quando o sol doirava
    As velhas paredes
    Da mansão perdida
    De risos sem par

    Quem foi que levou
    Os astros azuis
    Do meu tempo lindo
    Meu tempo a vogar
    Por mares de estrelas
    Vermelhas abrindo
    Quando minhas mãos
    Querem soluçar

    Não mais sei quem foi
    só sei que foi quando
    a noite vestiu o dia que era
    E todos os sonhos
    Partiram em bando
    Fugindo de mim e da primavera

    Mas há na memória
    Da minha retina
    A voz que se nega
    A silenciar
    Com dedo infantil
    Erguendo a menina
    Diante do réu
    Em tempo e lugar!!!

    Marília Gonçalves

    e o meu abraço fraterno e universal a quantos se batem pelo ser humano, pelo futuro, e até pelo amanhã dos filhos e descendentes de quantos atraiçoam Portugal
    o meu amor por vós amigos e a minha infinita ternura

    Marília Gonçalves

    em Liberdade e Cidadania

    http://liberdadeecidadania.blogspot.com/

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