Encerramento de mais 900 escolas agrava injustiças e atrasa o país

A decisão de encerrar mais 900 escolas do 1º ciclo do Ensino Básico a partir do próximo ano lectivo, inserida no conjunto de medidas acordadas entre PS e PSD, é parte de uma estratégia puramente economicista decidida em 2005 pelo primeiro governo do PS/Sócrates, cujo objectivo era o de encerrar 4500 escolas do 1º ciclo do Ensino Básico e dezenas de jardins de infância, numa clara afronta ao direito constitucional de igualdade de acesso à educação e ao sucesso escolar, revelando um profundo desprezo pelos direitos dos alunos.

Tal como o PCP denunciou logo em 2005, esta medida, associada à implementação em curso de organização e racionalização dos Agrupamentos Escolares, desrespeitando claramente as tipologias definidas na Lei de Bases do Sistema Educativo, insere-se inequivocamente na estratégia deste Governo de reduzir ao mínimo as responsabilidades do Estado nas suas funções sociais, deveres constitucionalmente consagrados desde Abril de 1976.

É falsa a tese de que o sucesso está nas grandes concentrações de alunos ou de que uma escola com menos de 20 alunos leva obrigatoriamente ao insucesso. O encerramento de escolas e a integração de milhares de alunos em “mega” agrupamentos não se insere em nenhuma preocupação pedagógica ou social, apenas na obsessão de reduzir o investimento na educação, prejudicando desta forma o percurso escolar dos alunos e atirando para o desemprego milhares de trabalhadores da educação.

Tal como aconteceu com o encerramento de 2300 escolas desde 2005 até hoje, muitas aldeias e freguesias deste país vão acelerar o processo de desertificação e milhares de crianças vão ser afastadas do seu ambiente natural e de uma relação estreita e saudável com os familiares mais directos, aspectos que são fundamentais no desenvolvimento equilibrado das crianças. Muitas destas crianças vão também ter de passar duas e mais horas diárias em transportes escolares, alguns deles sem as mínimas condições de segurança, e escolas com milhares de alunos vão tornar-se mais impessoais.

Estamos por isso perante uma concepção educativa que para além de apostar na centralização, na baixa formação e qualificação dos portugueses e nos baixos salários é sobretudo desumana. Nenhum outro governo ao longo da história do nosso país encerrou tantas escolas. Esta é mais uma das marcas da política educativa do Governo PS – independentemente de quem esteve ou está à frente do Ministério da Educação – e que contou agora com o compromisso do PSD.

O encerramento de escolas, sendo uma questão com dimensão educativa, tem também um fortíssimo impacto social, económico e cultural em vastas regiões do país já por si atingidas pelo problema do desemprego, da desertificação, da emigração, dos baixos rendimentos ou da pobreza.

O PCP defende que é necessário travar esta decisão desastrosa e apela à luta das populações, dos professores, dos funcionários e da comunidade educativa para que impeçam a concretização desta medida que agravaria as injustiças e atrasaria ainda mais o nosso país.

Para o PCP, a realidade nacional reclama mais investimento na educação, como valor estratégico para o desenvolvimento equilibrado do país e para o reforço da identidade nacional, com prioridade para um efectivo combate ao abandono e ao insucesso escolar e à exclusão social e escolar.

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por Blogue da Emigração Publicado em Educação

2 comentários a “Encerramento de mais 900 escolas agrava injustiças e atrasa o país

  1. Só a luta irá determinar,o fim da destruição de um povo organizado em sociedade há quase um milénio.
    Nesta fase final do capitalismo,que vulgarmente chamamos de imperialismo, perdeu completamente a cabeça, a razão e a lógica afastam-se perigosamente dos ainda considerados seres “humanos”!Tanto em Portugal como no estrangeiro…
    Senão vejamos o que se passa com a política de extermínio do povo Palestiniano, levada a cabo por Israel há mais de meio século, não lhes chega o silêncio do mundo ocidental na protecção dos seus inúmeros e hedionhos crimes, agora atacam tudo o que mexe, mesmo em águas internacionais, com o apoio directo dos EUA e dos seus satélites!!! Até onde chegará a falta de pudor dos chamados democratas! Vivemos tempos particularmente difíceis, estou seguro que o amanhã será diferente, que o mundo do trabalho, por muito futebol que haja, fátimas e fados, a lucidez virá acima e, recuperaremos o tempo passado de forma violenta e criminosa. O silêncio dos bons começa apesar cada vez mais, alguma medida drástica terá que ser tomada, a nível da península e do resto do mundo…

    Sid

  2. É sempre triste ver que os dois maiores partidos PS e PSD apesar de defenderem que são muito diferentes, no que toca á questão de investimento publico são precisamente o mesmo, pouco investimento publico valoroso, grande investimento em obras publicas que não ajudam em nada o cidadão e trabalhador comum, e ainda por cima fecham escolas, querem destruir o sistema de ensino, o sistema de saúde, cortam verbas em tudo o que é relevante e importante para o futuro do pais em ordem de conter a despesa publica…
    Em compensação, avançam com aeroportos que irão estar funcionais daqui a 20 ou 30 anos, grande erro, pois daqui a 15 anos e com o avanço da tecnologia, sairá bem mais barato e com a vantagem, esperemos, de as contas estarem equilibradas por esse tempo… O tgv, por sua vez já vem tarde e dispendioso, mas na minha humilde opinião deve avançar mas sem penalizar o bolso dos contribuintes e devera ser transparente e não como o caso dos submarinos que ninguém entende muito bem porque precisávamos de submarinos novos, sobretudo em épocas de contenção de despesas! Por fim, um alerta a todos os leitores e cidadãos interessados, o fim da segurança social aproxima-se… Começou com a privatização de hospitais, passa por cortar os (poucos) benefícios que o trabalhador e desempregado tem, as escolas é o que temos visto, e a dor maior será quando as pensões passarem para a mão privada, mais uma privatização que ira cortar pensões e gerar mais lucro a um punhado de personagens já de si bastante abastados, cegos pelo valor de lucro, criado com o suor e sacrifício de todos os trabalhadores e contribuintes deste nosso pequeno pais… Ate quando vamos todos ser codeirinhos?

    Assim, amigos, camaradas, colegas e companheiros, estamos á beira da ruptura do sistema actual e o futuro parece bastante difícil para todos nos!
    Abril para quando?

    Abraços!

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