é quase gelo

13.12.1977

é quase gelo
a água escorrendo nas manhãs do rosto

no gelo clareia o meu rosto
abre-se o dia esta alegria este arremeço

nas tolhas (tão) sujas e encharcadas o início do cansaço
e ainda assim o dia continua a alegria rejubila

saio à rua
acaricio o sol ele salta a beijar-me
enrolo-me em nevoeiro ele afaga-me os cabelos

compro o jornal
entro no café quase deserto quase cheio uma única mulher
leio o rosto da primeira página desvendo cada cara

o meu silêncio enche a manhã
calo-me (agora) no quente sabor do café
e no morder lento e total da manteiga sobre (o) pão

relanceio o olhar sobre a poesia
entro adentro de um rosto pura melodia
saio porta afora encharcado de ternura de alegria

sou um homem no alvoroço da manhã
os meus cabelos negros (são) uma sinfonia no vento
conheço toda a música que das ruas se desprende

entro no partido
as escadas os degraus dois a dois abro e fecho a porta
leio penso escrevo

quero
abrir portas ao mundo
clarear as madrugadas de vermelho
inundar de flores ruas da cidade cabelos de mulher
levantar esta bandeira de ternura de alegria
força voraz
marcha tão certeira!

Filipe Chinita

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8 comentários a “é quase gelo

  1. parabéns por mais este lindo poema!
    dádiva, de quem vive para se dar aos outros
    através desta partilha de palavras,luta,força e (abraço)

    diz a gente,diz o povo:
    a quem se gosta diz-se apenas:-até amanhã!
    então
    até amanhã!
    amanhã, quando a madrugada clarear de vermelho.
    e o sol nos abraçar de manhã!

  2. 25 de Abril Sempre

    Espasmo interior

    ou revolta fulminante

    qual o nome para a dor

    vinda do meu tempo infante?

    algozes vis destruiram

    em feroz atrocidade

    os sorrisos que fugiram

    ao futuro da verdade.

    Antecedendo o dia luminoso

    eles mataram, feriram sem remorso

    da tortura fazendo intimo gozo

    curvando ao povo as almas e o dorso.

    Mas a alma do povo é resistente!

    De humilhações de feridas de peçonha

    que lhes fechavam as portas do presente

    em crueldade bárbara, medonha:

    Ânimo erguido! Na luta, na arena

    na solidão feroz de cada cela

    desprezando o sarcasmo da hiena

    caindo em bando sobre uma gazela

    o povo foi erguendo em cada não

    a historia portuguesa do futuro:

    fez luz nascer da escuridão!

    Um jardim nascia no monturo.

    Marília Gonçalves

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