Tomar partido! (exemplifique-se – 1)

«(…) deveis observar com serenidade o estado real de consciência e de preparação de toda a classe (e não apenas de sua vanguarda comunista), de toda a massa trabalhadora (e não apenas de seus elementos avançados).»
Isto escrevia Lenine em 1920, em O esquerdismo – doença infantil do comunismo.
Dirigia-se Lenine aos “esquerdistas”? Não! Não se dirigia aos “que não sabem conduzir-se como o partido da classe, como o partido das massas”, aos que se arrogam representantes da classe operária, e seus “educadores”, por obra e graça saberão eles de quem.
Dirigia-se aos que têm o dever de “não descer ao nível das massas, ao nível dos sectores atrasados da classe, (aos que têm) a obrigação de dizer-lhes a amarga verdade: dizer-lhes (às massas e aos seus “educadores”) que seus preconceitos democrático-burgueses e parlamentares não passam disso, de preconceitos”.
E, como colectivo, como vanguarda, deve-se “observar com serenidade o estado real de consciência e de preparação de toda a classe (e não apenas de sua vanguarda comunista), de toda a massa trabalhadora (e não apenas de seus elementos avançados).”
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Por outro lado, exemplifique-se:
Em momento de explosão da crise larvar do capitalismo, prevista e prevenida pelo PCP, quando o Estado, com o Governo como “comissão que administra os negócios de toda a classe burguesa (Marx e Engels, Manifesto do Partido Comunista, de 1848), na correlação de forças existente em Portugal, avança com PECs, o PCP responde em todas as frentes de luta, privilegiando a luta de massas, os locais de trabalho e a rua, a tomada de consciência, não subestimando minimamente a frente institucional, parlamenter, enquanto frente da mesma luta.
Que resposta, no concreto? Não façam pagar as consequências da política que trouxe a esta situação pelos que são as suas vítimas, pelos trabalhadores e as populações; vão buscar os recursos a quem dessa política beneficiou (e a promoveu realmente); não aumentem o IRS e o IVA de forma que agrava as crescentes dificuldades dos trabalhadores e das populações, vão buscar esses recursos necessários à vossa administração aos bancos que pagam menos que os outros agentes económicos (porquê?), aos especuladores que nada pagam para as receitas do Estado (porquê?), aos lucros maiores, com taxação acima da taxação para todos os lucros.
Quer isto dizer que se aceita e avaliza o que se considera caduco, e contra o que se luta em todos os momentos e situações e não apenas quando se “está em crise”? De modo algum, porque, para nós, como dizia Lenine, “trata-se exactamente de não julgar que o (que é) caduco para nós tenha caducado para a classe, para as massas”.
E é às massas nos dirigimos, na batalha prioritária da tomada de consciência.
Porque, fique muito claro, estas considerações sobre o partido que tomei e o Partido que sou, não são respostas a quem não respondo, até porque a baixeza da interpelação ilustra-se na insinuação de que procuro sacudir “água do capote” (!!!) quando refiro regras do funcionamento do Partido, e uma delas é a da total solidariedade com as decisões do colectivo.

Sérgio Ribeiro

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