Tomar partido! (a economia política marxista)

Na preparação da tarefa de participar na “apresentação” de um livro (Compreender a economia-introdução à análise económica marxista do capitalismo contemporâneo) na Festa do avante! levou-me a, de novo, recorrer aos “clássicos” e a um que, não o sendo, o considero como tal, ou que o é para mim – Trabalho colectivo e trabalho produtivo na evolução do pensamento marxista – e, desta vez, com particular cuidado porque me parece necessário pôr algumas coisas a claro.
Desde logo, a base teórica que nos escora na tomada de partido tem uma componente económica que é da maior importância e há que sublinhar a existência de características gerais da economia política marxista que têm de ser consideradas. E estudadas, estudadas sempre!
Não para as tomar como dogmas, mas para que, no confronto com a realidade, para a compreender (a realidade total e a económica) e para nela intervir, desde o mais humilde gesto (com a relevância de ser insubstituível), com instrumentos ideológicos coerentes e consistentes. Para que essa intervenção, por dotada de base teórica – coerente e consistente, insisto – possa ter força de esclarecimento e possa contribuir para a tomada de consciência contra toda a tremenda campanha de demagogia e desinformação, esta dotada de meios desmesurados e de falta de pudor não menor.
Ora, i) a economia política marxista faz parte de um conjunto, não é um compartimento estanque, ii) o pensamento que a enforma é historico, pode dizer-se que o “contemporâneo” não existe: ainda não é o que já não foi, iii) a economia política marxista tem uma concepção macroeconómica, não dissociada das outras áreas humanas (no que coincide com a primeira característica), o seu objecto próprio é a economia no seu conjunto, os seus agentes vivos e criadores são evidentemente os homens, mas não como indivíduos, ilhas, mas pertencendo a grupos económicos macro-sociais, a classes, iv) a análise económica, na economia política marxista, deve ser conduzida do ponto de vista da produção porque é na produção que o homem se confronta e mede com a natureza, inclusive a sua, apoiando-se nas técnicas, em tudo o que antes se dotou como instrumentos, é na produção que se trabalha e cria, é na produção que a ciência se introduz no processo económico, isto sem de forma alguma menosprezar ou desconsiderar o papel das outras fases do processo económico total a montante e a jusante da produção, para que ela decisivamente contribuiu antes, e por último mas que se deixará para outras considerações, pela sua carga teórica-ideológica v) a concepção da economia política marxista é dualista, o que se põe em evidência, em O Capital, que tudo começa pela mercadoria e pela dualidade da unidade dialéctica dos valor de uso e valor de troca, e todo o “edifício” se constrói sobtre pólos contraditórios.
Deter-me-ia na quarta característica (iv), a do privilégio da produção, do aproveitamento dos recursos visando, pelo trabalho, a satisfação das necessidades, o que parece particularmente relevante quando, no tempo, se confunde economia com dinheiro que nada produz, e, no espaço, se esquece sistematicamente que, neste País, por exemplo, há recursos escandalosamente inaproveitados, há um mar que faz do Portugal o maior país europeu da União Europeia, e tudo se quer transformar em negócio financeiro-especulativo para acumulação de capital-dinheiro.

Sérgio Ribeiro

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