Tomar partido! – 10

Duas notas prévias:
1. As frasezinhas de fecho sobre a continuação desta série, são para dizer da intenção de continuar (se…); mas servem, também, para dizer que “isto” está a ser “produzido” como apontamentos de leitura, estudo e reflexão em trabalho contínuo, por vezes, como é o caso, com destino ao cumprimento de uma tarefa fora/além daqui.

2. Parece-me que, nestes tomar partido! (e vão 10), tenho referido várias vezes Marx e nunca terei feito referência a Engels, sempre apagado, humilde e com contributos inestimáveis. É uma injustiça: façam favor de ler, quase sempre…, Marx e Engels.
Entrando na matéria, perguntava-me que poderá interessar “isto” para tomar partido. Pergunta nada inocente porque traz engatilhada a resposta: o partido que tomámos e, por isso, o Partido de que somos, é de massas, é da classe operária e de todos os trabalhadores, da sua vanguarda, dos que o querem ser (sem de tal se vangloriarem…) por opção e obrigação de coerência. E tem uma base teórica!
Ora, tendo uma base teórica, e sendo um Partido de massas, não seria pertinente exigir que as massas – mesmo as suas vanguardas – tivessem um conhecimento teórico aprofundado da base teórica, de grande complexidade e não reduzível a meia dúzia de fórmulas e frases feitas. Para mais, essa base teórica, o marxismo-leninismo, o materialismo histórico e dialéctico, não é manualizável, isto é, não é susceptível de se encaix(ot)ar num volume ou volumes por mais volumosos que eles sejam. Define-se, aliás desde a sua génese (o Manifesto, de 1848), como uma base teórica viva, nunca cristalizada.
O que não quer dizer que seja uma base tipo gelatina para um corpo invertebrado. Não! O marxismo-leninismo é materialista, é dialéctico e é histórico, ou seja, tem uma opção filosófica clara, uma metodologia que lhe é própria, respeita a História e repudia as suas falsificações e perversas interpretações de factos, alguns deles pura e simplesmente inventados, reconhece o presente como História que está a ser feita.
Dito isto, a filosofia, as ciências da natureza, a economia, tudo o que respeita ao ser humano integra, interessa e inter-age com essa base teórica que é global.
Tomar partido, tendo de ser ganhar consciência de que se pertence e luta por uma classe na História que é de luta de classes, não se assemelha a fazer um exame em que há prova escrita e oral avaliadora dos conhecimentos da base teórica. Mas há que a aprender e estudar permanentemente, cada um com a sua formação, com a sua profissão, com a sua especialidade a contribuir para a reforçar por a fazer mais próxima da História que somos e da sociedade que queremos.
Na economia política marxista, elemento enformador da base teórica, se não está tudo em O Capital não concebo que se revise e invente, que destruam alguns caboucos, como o papel do desenvolvimento das forças produtivas e o tipo e estádios das relações de produção, como os conceitos dualistas de valor e de trabalho, de mais-valia e de exploração, algumas leis deles decorrentes.
E há tanto para estudar nos tempos sempre em mudança, tendo por base a nossa base teórica!

Sérgio Ribeiro 

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