As eleições para a Presidência da República – reflexão 2

“Há que transformar desânimos e resignações em esperança combativa!”.
Como há que dignificar a democracia, que credibilizar a política, que respeitar a Constituição. Mas há, também, quem tenha fundadas reticências a estas formulações…
Vivemos em capitalismo, esta democracia é “capitalista” (burguesa). Há que lutar contra esta democracia. Claro que sim! Mas… em todas as frentes, sem que a batalha numa frente nos possa distrair da que noutras frentes está a ser feita. E com uma intenção sempre presente, com a questão axial da nossa luta ter uma única prioridade: a de levar as massas a tomarem consciência de classe, a abandonarem abandonos, a desistirem de desistências, a lutarem e a conquistarem os seus direitos, o que é seu direito (e possibilidade!), serem mais felizes porque conscientes das suas necessidades (de cada um/a e de todas/os) e podendo satisfazê-las.
Riposte-se que esta “democracia” é burguesa assim porque a relação de forças sociais (de classe) assim o reflecte, e é tanto ou mais burguesa (“capitalista”) quanto menor for, nessa relação, a força da classe operária, dos trabalhadores, das populações, quanto mais frágil for a sua consciência, a sua expressão na escolha eleitoral que lhes é concedida… porque a conquistaram. Por vezes, historicamente…, com duras lutas.
Em 1910, a “revolucionária” lei eleitoral republicana ainda negava o voto às mulheres e aos analfabetos, o que, como escreveu Octávio Teixeira em O Militante (ver “mensagem” aqui publicada sobre a República) “significa que quer elas quer a generalidade dos trabalhadores fabris e do campo continuaram impossibilitados de elegeram e de serem eleitos”.
O mau uso dessa entretanto conquistada possibilidade, ou o até perverso uso desse direito, cada vez mais influenciado pelas campanhas mediáticas, deverá levar a desprezar ou menosprezar o que foi uma conquista?
ou,
quem se considera vanguarda, por estar mais adiantado – por circunstâncias de que é feito o ser humano, juntamente com os seus genes – na tomada de consciência social, a partir do estudo e conhecimento da História, deve lutar contra os maus e perversos usos da possibilidade que é um direito?
Direito de que, aliás – ainda perversamente!, numa das suas muito variadas maneiras –, a burguesia se vangloria, como se fosse apenas e só sua concessão, naquele impoluto, imaculado, percurso de promoção das liberdades e dos direitos humanos… que tem sido seu histórico percurso e apanágio!

Sérgio Ribeiro
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Aproximam-se eleições. Presidenciais, isto é, com uma carga de escolha individual como nenhuma outra.
Já voltarei aos números. De 2006 e para 2011.

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