Ser

Milhões de Portugueses na Diáspora, essa é a realidade.

Somos hoje, emigrados, mais de quatro milhões e meio de portugueses, mas…

Etimologicamente, emigrar significa sair da sua região ou do seu país para se estabelecer noutro. Nesse sentido, estabelecer pode adoptar diferentes significados, entre os os quais:
1. Dar princípio a (coisa que se torna firme e estável).
2. Organizar, instituir, fundar.
3. Criar.
4. Ordenar, mandar, determinar.
5. Pôr estabelecimento a.
6. Dar modo de vida a.
7. Casar.
v. pron.
8. Fixar residência.
9. Pôr casa de comércio.
10. Tornar-se firme, estável.

Em qualquer das acepções, como está fácil de ver, a acção é inerente à coisa, logo, aspecto estructural e estructurante da realidade.

Por seu lado, a realidade:
1. Qualidade do que é real.
2. Existência de facto.
3. O que existe realmente; coisa real.
4. Conjunto de todas as coisas reais. = REAL

Assim, sabemos que nem todos os que emigram determinam a realidade conforme a sua vontade, submetidos a condicionantes de diversas índoles, devem, para preservar a âncora que os mantém “vivos”, assumir realidades de outros, algo similar àqueles que permanecem no seu país. Sendo que, a mais comum de entre elas é a necessidade de colocar a sua capacidade produtiva num universo limitado, facto que, por si só, sustenta e fomenta uma dependência generalizada dos trabalhadores.

Noutro aspecto, os emigrantes reservam-se um peso político pouco relevante, enquanto votando no país anfitrião são capazes de levar à urna (derivado de um fenómeno psicológico de condicionamento evocativo/presencial) aquela que pensam ser a vontade da maioria do entorno no qual se inserem, procurando por tal, mesmo conscientes de que a decisão adoptada é contrária às suas concepções, criar semelhanças que facilitem a sua integração, provado que está que muitas vezes apoiam partidos com discursos xenófobos. Também desta forma, preterem contribuir na mudança necessária no país de origem, demonstrando pouca confiança na possibilidade de alterar as condições que estiveram na génese da sua decisão de emigrar, permitindo assim mesmo, neste comportamento, encontrar o resultado do modo de produção capitalista e/ou do grau de consciencialização das massas no estado de procedência.
Ainda no âmbito político, podemos encontrar outro tipo de atitude: não votar.

Como última variável na questão relativa à afirmação da vontade política, de entre estes a minoria, existem emigrantes que se empenham em exercer um direito que, apesar do furto continuado que paulatinamente incrementa a aferência do abandono deste colectivo por parte dos governos – e é o Português aquele que nos concerne -, se apresenta como possibilidade única de melhorar as condições no seu país e as suas próprias: o voto nos consulados ou nas embaixadas (quem sabe futuramente nas associações), as quais, como primeiro escolho a salvar para poder tornar o seu critério força, mantêm muitas vezes localizações pouco viáveis para a deslocação dos trabalhadores e, outras muitas, acessos restringidos, como o consulado de Madrid (por exemplo).

Em conclusão, o voto, cada dia mais, requer um esforço que aparentemente pouco recompensa, tornando-se assim numa forma descredibilizada de imprimir e perceber uma noção de liberdade no povo e pelo povo, máxime quando emigrante.

 

A credibilidade do processo e assunção da realidade no país de origem.

Assumindo como boa a definição de realidade que encabeça este texto, podemos questionar-nos sobre a percepção do emigrante no relativo à capacidade que aqueles que continuam a residir no seu país mostram no sentido de melhorar a “coisa”. Impressão esta que, contribui, também, para o afastamento ou a aproximação a essa realidade, dependendo do nível de conhecimento ou compreensão desta população ao realizar o processo de atribuição causal, tornando-o mais ou menos correcto.
Nesse sentido, Constatando a percentagem de abstenção em cada processo eleitoral, dentro e fora do país; verificando que, concretamente no caso português desde Novembro de 1975, a usurpação dos direitos conquistados tem tido lugar a uma velocidade estonteante; vendo que o imobilismo da população dentro de uma alternância sem alternativa é real; assistindo à destruição do tecido produtivo e assim das possibilidades de emprego; contemplando o fecho de escolas, serviços de saúde, etc., o emigrante chega a posicionar-se num contexto alheio à política.

 

O papel e a força dos emigrantes

Contudo, apesar de todas estas contrariedades, e destas, as vicissitudes continuam a depender de cada um de nós (direito de Abril, inalienável), sendo também importante assumir que, a perspectiva longínqua de um determinado paradigma, sobretudo quando comparado desde e com experiências próprias, pode constituir um factor preponderante na identificação de soluções – efectiva a sua implementação quanto maior a expressão – que, por sua vez, veiculadas por uma força que quanto mais apoiada maior representatividade terá, as incorpore à sociedade e a transforme, efectivando assim a nossa participação na realidade (coisa).

 

O voto

Em linha com o anterior, votar é então: ajudar, despertar, emancipar, crescer, formar parte da coisa, ou, em último caso, Ser.

 

Sejamos nós, ó produtores!

 

Mário Pinto

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2 comentários a “Ser

  1. A emigracao, a diáspora portuguesa deve mostrar que é, que existe, que está aí no terreno, nos muitos terrenos, durante a próxima campanha para a Presidência da República, mobilizando-se definitivamente em torno da candidatura revolucionária de Francisco Lopes. É o único candidato que entre todos faz a diferenc,a essencial: a defesa de um Portugal soberano, do povo, da gente arrastada, dos trabalhadores, a defesa da Constituicao da República,sem meias-águas nem compromissos podres com a política de direita do centrao de interesses, instalado há mais de três décadas. Em frente, sejamos cada um um arauto da candidatura patriótica, internacionalista, revolucionária que Francisco Lopes representa. Boa campanha, camaradas! Ousemos ser deste modo nos tempos que se avizinham!

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